Governo holandês apresenta demissão

O primeiro-ministro Mark Rutte apresentou a demissão do seu Governo de centro-direita, após o fracasso de um longo processo negocial sobre a redução do défice público.

Mark Rutte apresentou ao início da tarde a demissão do Governo à Rainha Beatriz, após um conselho de ministros extraordinário de mais de quatro horas e no final de um encontro de duas horas com a Rainha.

A reunião do Governo destinava-se a analisar o resultado de mês e meio de contactos entre o primeiro-ministro liberal, o vice-primeiro-ministro democrata-cristão Maxime Verhagen e o populista Geert Wilders, cujo Partido para a Liberdade assegurava ao Governo uma maioria no Parlamento.

O Governo de Rutte e Verhagen estava no poder desde outubro de 2010.

Wilders rompeu sábado as negociações que se tinham iniciado a 5 de março com a finalidade de se conseguir um acordo para a redução do défice holandês, que é de 4,7% do seu PIB em 2011, muito além dos 3% estabelecido como norma para a zona euro.

Em negociação estava uma pequena subida do IVA, o congelamento dos salários dos funcionários públicos, a redução do orçamento para a saúde assim como a diminuição da ajuda aos países em desenvolvimento.

Os analistas defendem que a crise foi desencadeada por Wilders, que deseja eleições antecipadas na expectativa de consolidar o seu partido na cena política holandesa, cavalgando a atual onda de sentimentos anti-União Europeia.

O próprio Rutte admitiu no sábado que legislativas antecipadas são o "cenário evidente".

O principal argumento de Wilders não deixa margens para dúvidas: "Não queremos submeter as nossas pensões a uma sangria à conta das ordens de Bruxelas", disse o dirigente populista para justificar o seu abandono das negociações.

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