Forças pró-russas ocupam base naval na Crimeia

Três bandeiras russas foram hasteadas e já voam, esta quarta-feira, numa das entradas da sede naval da Ucrânia, em Sevastopol, na Crimeia, segundo testemunhas citadas pela agência Reuters. Forças pró-Russas assumiram o controlo de pelo menos parte da base naval sem resistência armada.Kiev garante que as tropas ucranianas não abandonarão a península do Mar Negro.

Foi o sinal mais claro de que os soldados russos, e as chamadas unidades de 'auto-defesa' - voluntários na sua maioria desarmados que os apoiam -, começaram tomar o controlo de instalações militares ucranianas em toda a península do Mar Negro. O porto de Sebastopol acolhe a Frota do Mar Negro russa.

"São cerca de 200, alguns de cara tapada. Não estão armados e nenhum tiro foi disparado do nosso lado. Os oficiais barricaram-se no interior do edifício e estão a decorrer negociações", explicou à AFP Serguiy Bogdanov, porta-voz da marinha ucraniana.

"Embora tenhamos autorização para usar armas em legítima defesa, não estamos a fazê-lo e não vamos faze-lo", acrescentou.

Logo após o incidente, o ministro da Defesa da Ucrânia Ihor Tenyukh disse em Kiev que as forças do país não se retirariam da Crimeia ainda que o presidente russo, Vladimir Putin, tenha assinado um tratado para tornar aquela região autónoma parte da Rússia.

O destino dos militares ucranianos militares no complexo Sevastopol não está assim claro, e como os jornalistas não tem permissão para entrar na base só há notícias sobre as pequenas áreas da base naval que conseguem observar.

Mas segundo testemunhas locais citadas pela Reuters nem um tiro foi disparado quando as forças pró-russas entraram dentro da base naval.

Um repórter da Reuters viu três homens armados, possivelmente soldados russos com uniformes sem identificação, no portão. Testemunhas locais também dizem ter visto um veículo blindado entrar na base.

Milhares de soldados russos tomaram o controlo da Crimeia nas últimas semanas, depois de ter sido anunciado o referendo de domingo passado, no qual a Rússia e a esmagadora maioria dos habitantes da Crimeia votaram a favor da anexação daquela região autónoma à Rússia.

Moscovo nega novo envio de tropas, enquanto os soldados russos na região usam uniformes sem identificação, o que torna difícil verificar exatamente quem é quem no terreno.

O presidente russo, Vladimir Putin, e os dirigentes da província autónoma ucraniana assinaram um tratado bilateral com vista à integração da Crimeia na Federação Russa.

Por seu lado, as autoridades da Ucrânia garantiram que nunca reconhecerão a anexação da Crimeia e deram autorização aos seus soldados para usarem armas em resposta aos "atos hostis" da Rússia.

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