Explosivos de terroristas neonazis roubados ao exército

Os terroristas neonazis, que presumivelmente mataram a tiro nove imigrantes e uma agente policial, perpetraram também um atentado à bomba em Colónia com explosivos roubados ao exército, noticiou hoje a imprensa alemã.

Segundo o jornal Bild, em 1991 foram furtados 40 quilogramas de TNT de um depósito militar de munições em Kahla, na Turíngia, e os investigadores constataram que as bombas construídas pelo grupo neonazi numa garagem em Jena continham parte dos referidos explosivos.

A polícia encontrou na garagem em questão 1,4 quilos de TNT, e receia que os restantes 38 quilos possam estar ainda na posse de neonazis, acrescentou o mesmo jornal.

Um presumível cúmplice do trio de terroristas, detido na sexta-feira, na região de Brandeburgo, já foi interrogado, mas recusou prestar depoimento.

O grupo, que se intitulava "Resistência Nacional Socialista", conseguiu manter-se na clandestinidade durante 13 anos, desde princípios de 1998, embora haja indícios de que os seus elementos nem saíram da Alemanha.

No passado dia 04 de Novembro, dois dos neonazis, Uwe Mundlos, de 38 anos, e Uwe Bohnhardt, de 34, apareceram mortos com tiros na cabeça dentro de uma caravana, depois de terem praticado um assalto a um banco, em Eisenach, e de terem sido detectados pela polícia.

O outro membro do grupo, Beate Zschaepe, de 36 anos, entregou-se às autoridades, depois de ter feito explodir o apartamento em Zwickau onde os três viviam sob falsas identidades. A suspeita tem-se recusado a falar nos interrogatórios, exigindo que lhe seja concedido primeiro o estatuto de arrependida, para obter uma pena mais leve.

O caso chocou a opinião pública alemã e obrigou as forças de segurança a reconhecer que foram cometidos vários erros nas investigações dos homicídios só agora atribuídos ao grupo neonazi.

Entretanto, o governo de Angela Merkel pediu desculpas aos familiares das vítimas, e prometeu que irá esclarecer o caso e punir devidamente os responsáveis.

Foi já anunciada a realização de uma cerimónia solene de homenagem às vítimas, em Fevereiro, com o alto patrocínio do Presidente alemão, Christian Wulff.

Políticos de vários quadrantes, organizações de imigrantes e organizações antifascistas exigiram que se volte a considerar a hipótese de requerer junto do Tribunal Constitucional a proibição do principal partido neonazi, o NPD.

Nos últimos anos, o NPD conseguiu eleger deputados para os parlamentos regionais da Saxónia e de Mecklemburgo-Pomerânia, além de vereadores em muitas autarquias do país.

Uma primeira tentativa para interditar o NPD foi indeferida em 2003 pelo Tribunal Constitucional, pelo facto de os serviços secretos terem vários agentes e informadores infiltrados na estrutura directiva do partido, e por isso não ser possível, segundo os juízes, saber quem determinava a linha política.

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