Ex-sócio de Urdangarin tenta implicar Juan Carlos

Diego Torres, ex-sócio do genro do rei espanhol, Iñaki Urdangarin, tentou implicar Juan Carlos nos negócios do Instituto Nóos, atualmente sob investigação judicial, entregando em tribunal correios eletrónicos, cartas e outros documentos que, alegadamente, referem o monarca.

Torres e Urdargarin estão a ser investigados pelo juiz José Castro, pelo alegado desvio de milhões de euros de fundos públicos através do Instituto Nóos.

O sócio do genro do rei tinha vindo a afirmar, perante a justiça, ter documentos que, alega, provam o envolvimento da mulher de Urdangarin, filha de Juan Carlos.

Agora, e segundo revela a imprensa espanhola, entregou vários documentos, incluindo correios eletrónicos que mencionam Juan Carlos, em relação ao patrocínio de uma competição de vela em Valência e a uma oferta de trabalho feita a Urdangarin pela princesa Corinna Sayn-Wittgenstein, amiga do monarca.

Em vários correios de julho de 2004, a princesa alemã explica a Urdangarin a proposta de ser presidente da divisão espanhola da Fundação Laureus, na qual queria criar uma "estrutura especial" para o duque de Palma, que combinaria atividades comerciais e benéficas e geraria para o genro do rei um salário de 200.000 euros anuais, que chegaria a 250.000 euros com despesas de representação.

Num desses correios, datado de janeiro de 2005, Iñaki Urdangarin deseja feliz ano à aristocrata e envia-lhe também o seu número de conta bancária e em março escreve a Corinna que está a estudar a sua proposta, explicando: "Queria consultar com o meu sogro e com Alberto Aza (então chefe da Casa do Rei) antes de te responder".

Outro grupo de correios eletrónicos refere-se à colaboração de Juan Carlos na procura de um patrocinador para um evento de vela em Valência.

Em outubro de 2007, o duque de Palma informa Torres de que o rei, através da infanta Cristina, lhe fez saber que o então presidente da Generalitat Valenciana, Francisco Camps, se ia dirigir a um dos promotores do evento náutico.

Torres entregou também vários correios eletrónicos que pretendem demonstrar que a infanta Cristina fazia parte da direção do Instituto Nóos.

Apesar de o seu nome fazer parte da estrutura diretiva, a infanta não foi constituída arguida neste processo.

Várias das comunicações escritas facilitadas pelo ex-sócio de Urdangarin têm como destinatário ou referem o secretário das infantas, Carlos García Revenga, que deverá prestar declarações perante o juiz no próximo sábado.

A procuradoria anticorrupção suspeita que Urdangarin e Torres montaram uma rede de empresas para desviar fundos públicos do Instituto Nóos, entidade que, entre 2004 e 2007, recebeu pelo menos 5,8 milhões de euros de várias administrações públicas, nomeadamente do Governo das Baleares e da Generalitat Valenciana.

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