Estaline sobe nas sondagens 60 anos depois da morte

A figura do dirigente soviético José Estaline, que faleceu há 60 anos, continua a provocar forte polémica e a dividir a sociedade russa, e quase metade da população considera o seu papel positivo.

No dia em que passam exatos 60 anos depois da sua morte, as sondagens mostram que a popularidade do homem que dirigiu a URSS com braço de ferro não pára de aumentar na Rússia.

"Em 1988, menos de 1 por cento dos respondentes consideravam Estaline uma grande figura que seria recordada dentro de 20-30 anos. Hoje, ele encontra-se na lista das figuras mais significativas dessa época na consciência social", constata Lev Gudkov, diretor do Centro Analítico Levada-Tsentr.

"Segundo as sondagens, atualmente 48 por cento dos respondentes reconhecem o papel positivo de Estaline, 22 por cento avaliam a sua personalidade de forma extremamente negativa", acrescenta Gudkov, frisando que "em 1998, 60 por cento dos inquiridos olhavam para Estaline de forma negativa".

O sociólogo explica este fenómeno com a "mudança de gerações, perda da experiência pessoal, formação da sociedade de consumo, influência dos media e da literatura".

Por outro lado, sondagens realizadas pelo mesmo centro mostram que 60 por cento dos respondentes estão contra a proposta de devolver à cidade de Volgogrado o nome de Estalinegrado e 56 por cento não apoiam a construção de um monumento ao ditador comunista em Moscovo.

Estes sinais contraditórios são alimentados pelas posições ambíguas do Kremlin face ao antigo dirigente soviético.

"O país mudou radicalmente, transformou-se de agrário em industrial, mas o campesinato desapareceu? Vencemos a guerra [Segunda Guerra Mundial] e ninguém tem direito a atirar pedras aos organizadores da vitória", afirmou Vladimir Putin.

O marechal Gueorgui Jukov, um dos obreiros da vitória soviética, escreveu sobre as qualidades militares de Estaline: "Ele foi o criador de alguma operação? Sim, infelizmente. Uma operação foi planeada e realizada no Báltico, na região de Libava, que se repetiu várias vezes sem resultado e nada deu além de pesadas baixas".

Guennadi Ziuganov, atual dirigente do Partido Comunista da Federação da Rússia, tem uma opinião diferente: "A industrialização, a vitória na Grande Guerra Pátria [Segunda Guerra Mundial], a descoberta do átomo e exploração da energia atómica, os voos ao Espaço e outros grandes feitos, bem como a imagem da grande potência URSS estão inseparavelmente ligados ao nome de Estaline".

Alexandre Burdonski, neto de Estaline e conhecido realizador de teatro, tem uma explicação para a criação do mito em torno do seu avô: "Se na Rússia se organizasse uma vida normal e se construísse um Estado normal, a necessidade do mito, do ídolo, passaria cada vez mais para segundo plano".

"Tal como aconteceu com Hitler na Alemanha, onde não passa pela cabeça de ninguém discutir hoje sobre a atualidade dessa figura política", concluiu.

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