Espanha pede apoio à UE para responder a imigração

O Governo espanhol anunciou hoje que vai pedir apoio da União Europeia (UE) para minimizar a pressão migratória procedente de África, depois dos últimos acontecimentos trágicos em Ceuta, em que morreram 17 imigrantes.

Fonte do Ministério do Interior espanhol confirmou à agência Lusa que este é um assunto sobre o qual o executivo tem mantido diálogos a nível europeu durante os últimos dois anos.

Madrid, explicou a fonte, considera que o combate à imigração irregular deve ser uma responsabilidade partilhada a nível europeu, posição reforçada nos últimos meses pelo próprio presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy.

Em outubro, por ocasião da tragédia de Lampedusa (Itália) - onde terão morrido mais de 300 imigrantes num naufrágio -, Rajoy defendeu que a UE deve fortalecer os apoios político, operativo e financeiro aos países da sua fronteira exterior, para melhor gerir fluxos migratórios e evitar "dramas incalculáveis" como os de Lampedusa.

"Que ninguém duvide que este é um dos desafios do nosso tempo. Não podemos tolerar de nenhuma maneira que o mar que nos une e nos aproxima se converte em vala comum", disse.

Para Rajoy, a resposta "eficaz" da UE deve reconhecer que "o controlo das fronteiras exteriores "é um esforço que deve ser partilhado pelo conjunto da união, Estados-membros e agências".

Especificamente, os países na fronteira exterior "que mais responsabilidade e pressões" assumem devem receber apoio político, operativo e financeiro, num programa de cooperação e apoio "alargado a terceiros Estados que são origem ou trânsito de migrações irregulares", afirmou o chefe de Governo.

Não se trata, insistiu, "de uma questão de barreiras, mas de regulação, de gestão de recursos e de efetiva participação de todos os atores sociais e empresariais".

Também o ministro do Interior espanhol, Jorge Fernández Díaz, defendeu junto do Conselho de Justiça e Assuntos do Interior (JAI) que "a luta contra a imigração irregular é a prevenção na origem e a cooperação com os terceiros países de origem e de trânsito", especialmente de onde saem embarcações.

Uma das medidas já em curso, com o apoio da Organização Internacional de Migrações (OIM) é o de retorno de pessoas que tenham sido vítimas de redes de tráfico de seres humanos.

Até dezembro do ano passado tinham sido repatriados, a partir de Marrocos, 120 imigrantes subsaarianos, segundo dados da OIM, sendo que a maioria eram mulheres com filhos e pessoas vulneráveis que estavam próximo a Ceuta e Melilla.

Os apelos espanhóis à UE surgem depois do incidente mais trágico registado até hoje nas imediações de Ceuta, quando no passado dia 06 de fevereiro pelo menos 17 imigrantes subsaarianos morreram quando tentavam chegar à cidade espanhola.

Desde essa data já foram recuperados 15 cadáveres, 10 de águas marroquinas e cinco de águas espanholas, tornando este no incidente mais grave de sempre em Ceuta e Melilla.

O incidente mais trágico anterior ocorreu a 29 de setembro de 2005, com a morte de cinco pessoas - duas do lado espanhol e três do lado marroquino - quando uma multidão tentou entrar em Ceuta.

Desde o ano 2005, as tentativas de grupos de imigrantes irregulares tomarem de assalto as fronteiras de Ceuta e de Melilla saldaram-se com 20 mortos.

Na tentativa de tomada de assalto mais recente, ocorrida na passada segunda-feira, cerca de 150 imigrantes ilegais conseguiram entrar na cidade de Melilla.

ASP // ARA

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