Erdogan acusa "terroristas" de envolvimento nas 'manifs'

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyp Erdogan, disse hoje que membros de uma "organização terrorista" estão envolvidos nos protestos antigovernamentais que desde sexta-feira abalam a Turquia e recusou cancelar um controverso projeto urbanístico, na origem da contestação.

Em declarações em Tunes, última etapa de uma visita oficial de três dias ao Magrebe, o chefe do Governo turco e líder do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, islamita moderado) referiu ainda que sete estrangeiros suspeitos de envolvimento nos violentos protestos estão sob detenção.

"Entre os manifestantes existem extremistas, alguns envolvidos em terrorismo", referiu em declarações aos jornalistas na capital tunisina.

"Os apoiantes desta organização terrorista estiveram presentes" na Praça Taksim em Istambul, o epicentro da revolta, acrescentou.

O líder turco, no poder desde 2002, também excluiu renunciar ao controverso projeto urbanístico no Parque Gezi, junto à Praça Taksim, que prevê a construção de um centro comercial, um centro cultural e uma réplica das casernas Topçu da época otomana, que desencadeou a vaga de contestação contra o seu Governo.

"O projeto respeita a história, a cultura e o ambiente (...) O que fazemos é proteger os direitos da maioria e preservar a beleza de Istambul", considerou.

O primeiro-ministro turco regressa hoje à tarde à Turquia, com a chegada ao aeroporto Ataturk de Istambul prevista para as 19:00 (hora de Lisboa) e a sua atitude, que parece manter-se intransigente, será decisiva para a evolução do movimento de contestação.

Apesar de ter considerado durante a sua deslocação ao Magrebe que os protestos estariam terminados no seu regresso, Erdogan deverá ser aguardado por milhares de manifestantes que agora exigem a sua demissão, no décimo dia de um movimento que começou por ser pacífico e que, em sete dias de confrontos com a polícia, já provocou três mortos, dois manifestantes e um polícia, e milhares de feridos.

Na quarta-feira, dia que registou forte mobilização sindical, decorreram de novo confrontos entre a polícia e manifestantes em Ancara, enquanto vários representantes da "Plataforma Taksim", que coordenou os primeiros protestos no início da semana passada contra o corte de árvores no Parque Gezi se reuniram com o vice-primeiro-ministro, Bulent Arinç, para apresentar as suas reivindicações.

Os contestatários pediram garantias sobre a preservação do parque, exigiram a demissão dos responsáveis pela violência policial, a não utilização de gás lacrimogéneo, libertação incondicional de todos os detidos, e fim das restrições às reuniões em praças públicas.

Arinç, que aparentemente se limitou a escutar os pedidos, terá apenas referido que debateria estas questões com Erdogan após o seu regresso. Para muitos manifestantes escutados pela agência noticiosa Efe, da atitude do primeiro-ministro está muito dependente o prosseguimento, ou a suspensão, da contestação.

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