Empresa mineira rejeita acusações de negligência no acidente

A empresa privada que explora a mina de carvão de Soma, no oeste da Turquia, onde 284 mineiros morreram na terça-feira numa explosão, desmentiu hoje a existência de "qualquer negligência".

"Não cometemos qualquer negligência neste acidente", afirmou Akin Celik, diretor de exploração da "Soma Komur Isletmeleri A.S", em conferência de imprensa.

Na terça-feira, uma explosão na mina de carvão de Soma causou 284 mortos, de acordo com o balanço provisório das autoridades turcas. Hoje, o ministro da Energia, Taner Yildiz, anunciou que "um máximo de 18 mineiros continua preso na mina", o que elevará o número total de mortos para "301 ou 302", deixando claro que aqueles trabalhadores estão mortos.

"Não há centenas de operários presos na mina como alguns disseram", frisou o ministro, acrescentando que as operações de socorro vão terminar quando todos os mineiros que se encontravam nas galerias subterrâneas forem retirados, três dias depois do pior acidente industrial registado na Turquia.

O desastre poderá ter sido originado por uma explosão de poeira de carvão, acrescentou o diretor de exploração.

Uma explosão de poeiras é uma combustão rápida de partículas em suspensão no ar, em meio confinado. As poeiras de carvão constituem um risco importante na exploração mineira.

Um outro responsável da empresa, Ramazan Dogru, rejeitou a tese de um curto-circuito num painel de transformadores nos poços, referido desde o início do acidente.

"O que aconteceu nada tem a ver com um transformador", disse. A causa exata do desastre será conhecida depois de estarem recolhidos todos os dados, explicou.

"Não sabemos como aconteceu este acidente", acrescentou.

O presidente da empresa, Alp Gurkan, sublinhou tratar-se de "uma tragédia inacreditável", garantindo que a mina cumpria todas as normas de segurança em vigor.

Gurkan foi acusado, depois do acidente, pela imprensa, de ter preferido a rentabilidade e o lucro em detrimento da segurança dos trabalhadores.

Em 2012, numa entrevista a um jornal turco, o empresário afirmou ter conseguido diminuir os custos de produção para 24 dólares por tonelada contra 130 antes da privatização da mina.

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