Eleições sérvias dominadas pela crise económica

A Sérvia realiza no domingo eleições presidenciais, legislativas e locais, com a crise económica como tema central da disputa liderada pelos europeístas, no poder, e os conservadores populistas, na oposição.

Uma taxa de desemprego de 24 por cento, um salário médio abaixo dos 400 euros e uma dívida externa próxima dos 45 por cento do PIB fizeram com que, pela primeira vez desde o fim da Jugoslávia, nos anos 1990, a economia se tenha imposto aos tradicionais temas políticos na campanha eleitoral.

Cerca de sete milhões de eleitores são chamados às urnas para eleger o parlamento e, em eleições antecipadas, o presidente, depois de o atual chefe de Estado, Boris Tadic, se ter demitido no início de abril, a quase um ano do final do mandato.

Para os analistas, a demissão de Tadic teve por objetivo favorecer o seu Partido Democrático (DS, europeísta, centro-esquerda) nas legislativas, face ao maior partido da oposição, o Partido Progressista da Sérvia (SNS), do ex-nacionalista convertido em conservador populista Tomislav Nikolic.

As sondagens atribuem 33,5 por cento das intenções de voto ao SNS de Nikolic, contra os 28,3 por cento do DS de Tadic. Em terceiro lugar, com 12 por cento, surge o Partido Socialista Sérvio (SPS), parceiro do DS no atual governo e, de acordo com analistas, no próximo.

O Partido Radical Sérvio (SRS, ultra-nacionalista), o Partido Democrático da Sérvia (DSS, nacionalista) e o Partido Liberal-Democrata (LDP), o único a defender o reconhecimento do Kosovo, deverão ultrapassar os cinco por cento dos votos necessários para integrar o futuro parlamento.

Nas presidenciais, as sondagens apontam para um empate entre Boris Tadic, de 54 anos, e Tomislav Nikolic, de 60, respetivamente com 35,7 por cento e 36,1 por cento das intenções de voto e uma diferença de mais de dez pontos em relação aos outros nove candidatos.

A confirmarem-se estes números, Tadic e Nikolic disputarão a presidência na segunda volta, a 20 de maio, como aconteceu nas presidenciais de 2004 e 2008.

A Sérvia obteve em março o estatuto de país candidato à União Europeia, depois de entregar à justiça internacional os últimos acusados de crimes de guerra e de iniciar um diálogo para a normalização das relações com a antiga província do Kosovo, cuja independência recusa reconhecer.

Mas muitos sérvios veem frustradas as expetativas criadas com a democratização do país, em 2000, nomeadamente a de uma melhoria das condições de vida.

Na campanha eleitoral, Tadic apresentou o seu partido como garante da via europeia e pediu um novo mandato para concluir as reformas que vão abrir caminho a mais investimento, a uma nova industrialização e à criação de postos de trabalho.

Nikolic responsabilizou o Partido Democrático pela situação económica, prometendo aumentar os impostos para os ricos, reavaliar as privatizações e atrair investimento estrangeiro para os setores agrícola e industrial.

O líder dos conservadores foi durante anos contrário à aproximação da Sérvia à UE, mas o discurso atual é favorável à integração, desde que ela não implique Belgrado a reconhecer o Kosovo.

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