Distúrbios na Suécia estendem-se a outras cidades

Os distúrbios que atingiram a periferia de Estocolmo durante seis noites consecutivas estenderam-se hoje de madrugada a outras localidades fora da capital, embora com menos dimensão, informou a polícia sueca.

Em Orebro, a oeste de Estocolmo, registaram-se confrontos entre grupos de encapuzados com agentes policiais, um ataque a um posto da polícia e incêndios em vários carros.

Em Linkoping, a sudoeste da capital, também há registo de carros incendiados e ataques a uma escola.

Em nenhum desses locais houve detenções, embora a polícia tenha identificado duas dezenas de pessoas na sequência de vários distúrbios no norte, oeste e sul da capital sueca, em cuja área metropolitana vivem cerca de dois milhões de pessoas.

Os bombeiros responderam a cerca de 40 pedidos de extinção de incêndio na noite passada, menos de metade do número registado há dois dias.

Um grupo de cerca de 60 membros de extrema-direita esteve nos arredores de Estocolmo e causou alguns incidentes em Tumba, a sul da capital.

Alguns foram detidos pela polícia em Estocolmo, que recebeu autorização na sexta-feira para reforçar o número de agentes na capital.

Os incidentes foram desencadeados pela morte, em Husby, um bairro desfavorecido da capital sueca, de um habitante de 69 anos e com problemas psíquicos.

O indivíduo foi abatido a tiro pela polícia no apartamento onde se tinha fechado com a companheira, mas os agentes disseram ter disparado em legítima defesa, por terem sido ameaçados com um machado.

O Governo português já identificou um emigrante português que terá sido morto pela polícia sueca em 12 de maio, mas os responsáveis locais apenas se vão pronunciar sobre o caso na segunda-feira.

"Temos a informação, mas não está confirmada pela polícia sueca, e portanto há sempre o risco de não ser a pessoa em causa", disse à Lusa o secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, numa reação à notícia publicada pela página na internet do jornal Expresso sobre a morte pela polícia sueca, em 12 de maio, de um português radicado no país há mais de 30 anos.

A polícia já abriu uma investigação ao incidente.

A vaga de violência provocou um debate na Suécia sobre a integração dos imigrantes, que representam cerca de 15% da população, estão concentrados nos bairros mais pobres das grandes cidades e são alvo de uma maior taxa de desemprego do que o resto da população.

O ministério britânico dos Negócios Estrangeiros e a Embaixada dos Estados Unidos em Estocolmo aconselharam já os seus cidadãos a evitar viagens para as áreas afetadas pelos distúrbios.

Incidentes semelhantes aos atuais ocorreram em 2010 em Rinkeby e em 2008 em Malmo, no sul, após o encerramento de um centro cultural islâmico.

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