Cinco mortos e 300 feridos na Ucrânia

Cinco militantes da oposição ucraniana foram hoje mortos em Kiev, durante os confrontos entre os manifestantes e as forças da ordem, segundo informações de um centro de cuidados médicos improvisado pela oposição na capital ucraniana, que foram esta tarde citadas pela AFP. De acordo com a mesma fonte, 300 outras pessoas ficaram feridas durante os confrontos.Após uma reunião hoje com o Presidente ucraniano, a oposição ameaçou "passar ao ataque" caso não haja concessões por parte do poder.

"Neste momento, contámos cinco mortos. E cerca de 300 pessoas ficaram feridas hoje, desde a meia-noite", declarou o coordenador desse centro médico, Oleg Musiy. à rádio Hromadske, pró-oposição, citado pela AFP. Esta agência refere ainda informações do site Ukrainska Pravda, o qual refere que quatro das cinco pessoas mortas nos confrontos apresentam ferimentos de bala.

Hoje entraram em vigor as novas leis que restringem as manifestações, prevendo penas de prisão entre os cinco e os 15 anos para quem bloquear o acesso a edifícios governamentais ou erguer tendas e palcos na via pública sem autorização prévia das autoridades.

Manifestantes pró-União Europeia, contrários à aproximação feita pelo Presidente Viktor Ianukovitch à Rússia de Vladimir Putin, têm erguido tendas e barricadas nas ruas de Kiev ao longo dos últimos meses. E, apesar das baixas temperaturas e da neve, não arredam pé. O epicentro dos protestos é, tal como em 2004, aquando da chamada Revolução Laranja, a Praça da Independência.

Os protestos começaram quando Ianukovitch anunciou que não iria assinar o acordo de associação entre a Ucrânia e a UE, preferindo antes assinar um acordo de cooperação económica com a Rússia. E desde então só têm vindo a piorar, com os dois campos a serem apoiados do exterior: a oposição pela UE e pelos EUA, o Governo pela Rússia.

O Presidente ucraniano encetou depois conversações com a oposição, mas até agora não há qualquer sinal de que tais conversações possam produzir resultados no sentido de acabar com a instabilidade e os confrontos na rua. Após uma reunião hoje com o chefe do Estado ucraniano, a oposição fez saber que vai "passar ao ataque" caso não haja concessões."Se Ianukovitch não fizer concessões, amanhã [quinta-feira] nós passamos à ofensiva", declarou Vitali Klitschko, ex-campeão do mundo de boxe, do partido Aliança Democrática Ucraniana, perante dezenas de milhares de manifestantes da oposição reunidos em Kiev.

Amanhã, quinta-feira, refere a jornalista do 'El País' em Kiev, Pilar Bonet, que cita fontes do Partido das Regiões referidas na imprensa ucraniana, está prevista uma sessão extraordinária do Parlamento, que poderá discutir a instauração do estado de emergência na Ucrânia.

Amanhã é também o dia em que a comunidade ucraniana em Portugal pretende reunir-se frente à embaixada da Ucrânia, em Lisboa, pelas 19.00, para exigir que os diplomatas "defendam o povo" e pedir a ajuda das autoridades portuguesas. "Amanhã [na quinta-feira] vamos fazer um protesto em frente da embaixada da Ucrânia, às 19:00, onde vamos dizer aos diplomatas ucranianos que estão cá [em Portugal] que ou eles escolhem e defendem o povo ou nós condenamo-los por apoiarem os crimes do regime do [Presidente da Ucrânia, Viktor] Yanukovich", disse à Lusa o presidente da associação.

Hoje, do exterior vieram também reações. "As autoridades legítimas da Ucrânia enfrentam uma interferência externa nos seus assuntos internos", disse o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Grigory Karasin, à agência Interfax. "A parte extremista da oposição está a violar grosseiramente a Constituição do país", acrescentou.

Do lado da União Europeia, o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, afirmou: "Estamos muito preocupados" com a escalada de violência na Ucrânia, disse, sublinhando a "violação sistemática de direitos humanos" por parte das autoridades de Kiev. "Enviámos uma mensagem às autoridades ucranianas para abandonarem este caminho e voltarem ao da democracia", salientou.

A situação na Ucrânia deverá ser, inevitavelmente, o assunto central da próxima cimeira UE-Rússia, agendada para a próxima terça-feira dia 28.

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