Chuva e reforço policial 'aliviam' agitação em Estocolmo

A chuva e o reforço da vigilância policial 'aliviaram' a agitação em Estocolmo, com o registo de apenas alguns casos dispersos de viaturas incendiadas durante a madrugada, a mais calma da semana, após noites consecutivas de distúrbios, indicou a polícia sueca. Um carro estava em chamas no distrito de Flemingsberg e um outro no de Kista, de acordo com a Rádio Swedish.

"Contudo, não foi como nas noites anteriores, quando as pessoas incendiavam veículos para tentar atrair a polícia e os serviços de emergência para lhes poderem atirar pedras", disse o porta-voz da polícia, Albin Naeverfjord, em declarações àquela estação de rádio.

Em paralelo, três carros arderam ao final da tarde de domingo na cidade de Oerebro, a 160 quilómetros a oeste da capital sueca, segundo informações publicadas pelo jornal Nerikes Allehanda no seu portal na Internet.

A polícia de Oerebro, em estado de alerta devido aos mais recentes tumultos, informou que não dispunha de informações sobre os autores do delito, mas testemunhas indicaram ter visto jovens a correr do local aquando da ocorrência dos incêndios.

Recentes incidentes reportados em Oerebro e noutras cidades geraram receios quanto à possibilidade de os distúrbios registados em Estocolmo se espalharem a outras zonas do país.

Na capital, a polícia descreveu esta noite como a menos agitada da semana, algo que se explica parcialmente pelo frio e pela chuva.

"As pessoas provavelmente compreendem que não podem resolver os problemas perturbando o bairro e também contámos com a ajuda de voluntários", afirmou Naeverfjord, à Rádio Swedish.

Os voluntários, muitos dos quais pais, têm vindo a 'patrulhar' as ruas, durante a noite, nas zonas mais expostas de Estocolmo, na tentativa de ajudarem a travar os protagonistas dos distúrbios.

Num esforço adicional para restaurar a calma, a polícia de Estocolmo recebeu reforços da segunda e terceira maiores cidades da Suécia -- Gotemburgo e Malmo -- as quais foram palco de tumultos nos últimos anos.

Os distúrbios da semana passada tiveram início no distrito de Husby, um bairro pobre onde cerca de 80 % dos residentes são imigrantes, na sequência da morte de um homem de 69 anos.

O indivíduo foi abatido a tiro pela polícia no apartamento onde se tinha fechado com a companheira, mas os agentes disseram ter disparado em legítima defesa, por terem sido ameaçados com um machado.

A polícia abriu uma investigação ao incidente, mas tal não bastou para evitar um recrudescimento dos distúrbios nas noites seguintes, nem que estes se espalhassem a bairros próximos.

Os 'media' suecos publicaram, nos últimos dias, acusações dos residentes de Husby contra a polícia, nas quais denunciam cargas policiais contra crianças e idosos e insultos racistas dos agentes, o que levou as autoridades a abrirem outra investigação interna.

A vaga de violência provocou um debate na Suécia sobre a integração dos imigrantes, que representam cerca de 15 % da população. Concentrados nos bairros mais pobres das grandes cidades são ainda alvo de uma maior taxa de desemprego face ao resto da população.

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