Cameron pede desculpa por morte de advogado

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, pediu desculpas públicas pela conivência das autoridades britânicas no homicídio do advogado norte-irlandês Patrick Finucane em 1989, cujas circunstâncias constam de um relatório publicado hoje.

O líder do partido Conservador disse já ter apresentado pessoalmente desculpas à família em nome do governo no ano passado, mas admitiu que a informação disponível ao público era, até agora, limitada.

"Todo o país tem o direito de saber a dimensão e natureza da conivência e da falha do Estado", afirmou, numa declaração no Parlamento.

Este relatório é o resultado de uma revisão feita a pedido do atual governo ao advogado Desmond da Silva, que teve acesso aos documentos dos inquéritos oficiais anteriores e aos documentos oficiais, alguns dos quais até agora confidenciais.

"Uma série de ações positivas por funcionários do Estado promoveram e facilitaram ativamente este homicídio" em fevereiro de 1989 pela Associação de Defesa do Ulster, organização terrorista favorável à soberania britânica da Irlanda do Norte, de acordo com o relatório.

Pat Finucane era um conhecido advogado católico que defendeu vários suspeitos de pertencer ao Exército Republicano Irlandês, a organização terrorista que lutou pela independência do território e unificação à República da Irlanda.

A conivência, lê-se no documento, terá acontecido através de fugas de informação, inação perante a informação de planeamento de homicídio, participação de funcionários na operação, fracasso na detenção de 8 membros da organização e obstrução à justiça.

"Conivência nunca, nunca deve acontecer. Por isso, em nome do governo e de todo o país, deixem-me apresentar à família Finucane [que] as minhas sinceras desculpas", disse.

Porém, a viúva de Patrick Finucane, numa conferência de imprensa, rejeitou o documento, declarando o relatório de cerca de 500 páginas "uma fraude" e "um branqueamento" do que se passou, acusando o governo de "supressão da verdade".

"Há sempre testemunhas mortas consideradas culpadas ou suspeitas. Funcionários em serviço e departamentos do Estado ativos parecem ter sido escusados", denunciou Geraldine Finucane, que assistiu, juntamente com os três filhos, ao homicídio com 14 tiros do advogado.

A avaliação que fez do relatório é que "a porcaria foi varrida para debaixo do tapete sem qualquer tentativa séria de levantar a tampa sobre o que realmente aconteceu ao Pat e a tantos outros", referindo-se às mortes durante os conflitos violentos entre protestantes e católicos republicanos na Irlanda do Norte.

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