Breivik não irá recorrer se considerado culpado

O autor confesso dos ataques de julho de 2011 na Noruega, que causaram 77 mortos, afirmou hoje que não irá recorrer se for considerado criminalmente responsável, mesmo que isso implique uma pesada pena de prisão.

"Não há absolutamente nenhuma razão para apresentar um recurso se for declarado responsável", afirmou Anders Behring Breivik, diante do tribunal de Oslo.

O extremista de direita, opositor da multiculturalidade e da "invasão muçulmana" na Europa, reconheceu a autoria dos ataques, mas recusou declarar-se culpado.

Breivik quer ser considerado mentalmente capaz, para que os seus ideais não sejam invalidados por um diagnóstico de demência.

O estado da saúde mental do extremista de direita é uma das questões centrais do julgamento, que arrancou na capital norueguesa a 16 de abril.

Breivik, de 33 anos, foi considerado psicótico e inimputável por uma primeira avaliação psiquiátrica oficial, feita em novembro do ano passado.

Esta decisão foi então fortemente contestada na Noruega e conduziu à ordenação por parte do tribunal de uma nova avaliação psiquiátrica.

Em abril deste ano, a nova avaliação concluiu que Breivik não sofria de psicose e era criminalmente responsável.

As duas avaliações têm um caráter provisório e exclusivamente consultivo, cabendo aos juízes determinar se Breivik é ou não criminalmente responsável, veredicto que é aguardado para julho próximo.

Para tomarem esta decisão, os juízes poderão apoiar-se nas explicações dos peritos responsáveis pelas avaliações, que deverão depor em meados de junho, mas também de outros especialistas em psiquiatria.

"A questão do recurso, ou não, está nas mãos dos juízes", acrescentou Breivik durante a audiência.

Se for considerado culpado, o acusado incorre numa pena de 21 anos de prisão ou de retenção de segurança -- uma pena renovável enquanto o preso for considerado perigoso. Caso seja considerado inimputável, pode ser condenado a internamento psiquiátrico, potencialmente para toda a vida.

Breivik foi o autor do atentado à bomba contra a sede do Governo norueguês e de um tiroteio na ilha de Utoya, perto de Oslo, a 22 de julho do ano passado.

Os dois ataques causaram 77 mortos, na maioria jovens que participavam num acampamento da Juventude Trabalhista, na ilha de Utoya.

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