"As nossas atividades em Sarajevo foram de autodefesa"

A primeira testemunha da defesa do julgamento do ex-chefe das Forças Armadas sérvias no tribunal que julga crimes de guerra na ex-Jugoslávia declarou que as forças sérvias-bósnias agiram em legítima defesa durante o cerco a Sarajevo.

Um dos oficiais de Ratko Mladic, Mile Sladoje, disse ao painel de três juízes do Tribunal Criminal Internacional para a antiga Jugoslávia, onde Mladic enfrenta acusações de genocídio e crimes contra a humanidade, que as suas tropas "nunca foram franco-atiradores" durante o tristemente célebre cerco a Sarajevo, nos anos 1990, em que morreram 10.000 pessoas.

"Todas as nossas atividades [em Sarajevo] foram atividades de defesa", sustentou Sladoje numa declaração lida pelo advogado de Mladic, Miodrag Stojanovic, antes de começar o depoimento.

"Havia ordens precisas, só podíamos abrir fogo em resposta a fogo inimigo", afirmou Sladoje, um comandante-adjunto de logística no Exército sérvio-bósnio que foi saudado por Mladic quando entrou na sala do tribunal.

Alcunhado como "Carniceiro da Bósnia", Mladic, de 72 anos, enfrenta 11 acusações que vão desde tomada de reféns até genocídio, pelo seu papel na brutal guerra da Bósnia, entre 1992-1995, que se seguiu ao desmembramento da antiga Jugoslávia.

Cerca de 100.000 pessoas foram mortas e 2,2 milhões de outras ficaram desalojadas num conflito onde ocorreram algumas das piores atrocidades cometidas em território europeu desde a Segunda Guerra Mundial.

Mladic é acusado de envolvimento no massacre de quase 8.000 homens e rapazes muçulmanos em Srebrenica, em julho de 1995, e do cerco de 44 meses à capital bósnia, Sarajevo.

É igualmente acusado de levar a cabo uma "campanha de terror" contra os civis de Sarajevo ao bombardear indiscriminadamente e destacar franco-atiradores durante o cerco.

Mas Sladoje, referindo-se ao homicídio por um atirador furtivo de uma adolescente, negou que houvesse 'snipers' entre as suas tropas ou que estas tivessem armas de franco-atiradores.

"Nós tínhamos armas normais de infantaria, nunca tivemos espingardas de 'snipers', com miras telescópicas", disse o oficial aos juízes.

Ratko Mladic é ainda acusado de ter feito refém um grupo de mais de 200 capacetes azuis da ONU durante o conflito, mantendo-os em locais estratégicos como "escudos humanos" contra os ataques aéreos da NATO.

Mladic foi detido na Sérvia e transferido para o Tribunal Criminal Internacional para a antiga Jugoslávia, em Haia, em 2011.

Conhecido pelas suas explosões em tribunal, tem negado as acusações e enfrenta uma pena de prisão perpétua, se condenado.

ANC // APN

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