Argumentos de Putin "não enganam ninguém", diz Obama

O presidente norte-americano afirmou esta terça-feira que o seu homólogo russo não tem o direito de recorrer à força. Mais tarde, fonte da Casa Branca afiançou que os EUA querem encontrar saída para a crise na Ucrânia.

No dia em que a Rússia efetuou com êxito o disparo de ensaio de um míssil balístico intercontinental e que o secretário de Estado norte-americano John Kerry, de visita a Kiev, acusou a Rússia de procurar pretextos para poder invadir a Ucrânia, Barack Obama destacou que para os Estados Unidos, para a União Europeia e para os seus aliados, "os atos da Rússia violam o direito internacional".

"Eu sei que o presidente [da Rússia, Vladimir] Putin, aparentemente (...) tem uma interpretação diferente, mas para mim [estes argumentos] não enganam ninguém", disse. "Há algumas informações que indicam que o presidente [russo], Putin, está a refletir sobre o que se passa. Toda a gente reconhece que, mesmo que a Rússia tenha interesses legítimos no que se passa no país vizinho, isso não lhe dá o direito de recorrer à força para exercer a sua influência no país", acrescentou Obama.

Fonte da Casa Branca afirmou mais tarde, segundo avança a agência France Press, que os Estados Unidos vão manter a pressão sobre a Rússia (através de sanções económicas) ao mesmo tempo que irão, junto dos aliados, tentar encontrar uma solução para a crise na Ucrânia.

John Kerry, de visita a Kiev, condenou o "ato de agressão" da Rússia contra a Ucrânia, assegurando que os Estados Unidos não procuram "o confronto" com Moscovo.

"Penso ser claro que a Rússia tem trabalhado bastante para criar um pretexto para poder invadir ainda mais", disse o secretário de Estado norte-americano à imprensa, depois de uma reunião com a nova liderança da Ucrânia, apoiada pelo Ocidente.

A Rússia, por seu lado, efetuou com êxito o disparo de ensaio de um míssil balístico intercontinental a partir da região de Astrakhan (sul). Uma ação da qual os Estados Unidos haviam sido avisados, segundo informação do Ministério da Defesa russo, entretanto confirmada por um responsável norte-americano.

Vladimir Putin referiu-se ao conflito na Ucrânia como uma "tomada de poder pelas armas", sublinhando que o que aconteceu foi um "golpe de estado anticonstitucional". O presidente russo disse ainda que se "reserva o direito de atuar" com todos os meios ao seu alcance, considerando essa atuação "legítima", se a situação se estender às regiões do este da Ucrânia habitadas por russos.

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