Alemanha diz-se contra eventual saída da Grécia do euro

O governo alemão considerou hoje "inadequada" uma eventual saída da Grécia do euro, e o porta-voz do executivo garantiu que tais reflexões "não estão nem nunca estiveram em debate", enquanto entre os especialistas as opiniões dividem-se.

Steffen Seibert reagia assim a uma notícia publicada na sexta-feira pelo semanário der Spiegel, em que se dizia que Atenas estaria a ponderar a hipótese de abandonar a moeda única, devido ao agravamento da sua dívida soberana, apesar do pacote de ajudas europeu e do Fundo Monetário Internacional (FMI) de 110 mil milhões de euros.

"Ouviram os desmentidos de todas as partes possíveis, sobretudo dos gregos, levem esses desmentidos a sério", disse Seibert no habitual 'briefing' com jornalistas em Berlim.

O porta-voz de Angela Merkel garantiu ainda que a notícia do Der Spiegel "não tem nada que ver com a realidade europeia", reiterando que os esforços da chanceler no âmbito da União Europeia "são dominados pelo interesse numa moeda estável".

Outros políticos alemães da área financeira afastaram também o cenário de uma saída da Grécia do clube do Euro, advogando novas medidas para apoiar este país.

Já entre os políticos da área financeira e economistas alemães a questão da permanêencia da grécia na moeda única é controversa.

O porta voz do grupo parlamentar democrata cristão para os assuntos financeiros, Klaus-Peter Flosbach, afirmou que "é de considerar" a redução dos juros do empréstimo europeu e do FMI a Atenas, ou a prorrogação dos prazos de pagamento, antes de se pensar numa eventual reestruturação da dívida grega, que considerou "o último recurso".

O social-democrata Carten Sieling, espelista em assuntos financeiros do maior partido da oposição, defendeu uma opinião semelhante, considerando uma eventual saída da Grécia do Euro "uma espécie de harakiri".

Para o perito em questões financeiras da bancada liberal, Frank Schäffler, a saída da Grécia do Euro "é uma decisão autónoma" a tomar pelo governo helénico.

No entanto, "esta decisão deve ser apoiada, porque agora é patente que a ajuda à Grécia e as medidas de austeridade só agravaram a crise", disse Schaeffler, que também se pronunciou anteriormente contra as ajudas a Portugal, e exigiu mesmo que Lisboa venda primeiro as reservas de ouro, antes de fazer empréstimos internacionais.

Já o diretor do Instituto de Pesquisa Macroeconómica e da Conjuntura, Gustav Horn, advertiu contra a renúncia grega à moeda única, considerando-a "um caminho errado, cujas graves consequências não foram pensadas até ao fim pelos que o defendem".

Horn acrescentou que uma tal decisão provocaria ainda maior insegurança nos mercados financeiros, e que, para a Alemanha significaria uma forte valorização da sua moeda "que provocaria enormes problemas" à maior economia europeia, muito assente nas exportações.

Opinião diametralmente oposta defendeu o presidente do Instituto de pesquisa Económica de Munique, Hans-Werner Sinn, conhecido pelas suas posições euro céticas.

"A saída da Grécia do euro seria um mal menor, e teria a vantagem, de após a reintrodução do dracma, poder voltar a vender os seus produtos ao estrangeiro, graças a uma desvalorização monetária que os tornaria mais baratos", sustentou Sinn.

"Se tentarmos combater os problemas da Grécia apenas com medidas de austeridade, o país ficará à beira da guerra civil", advertiu o mesmo economista.

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