Segunda volta com candidato surpresa na Costa Rica

Luis Guillermo Solís, do Partido Ação Cidadã (centro-esquerda), supreendeu ao bater na primeira volta das presidenciais da Costa Rica o candidato do Partido de Libertação Nacional (direita, no poder), Johnny Araya, e o favorito nas sondagens, José Maria Villalta, do Partido Frente Amplio (esquerda). Segunda volta será a 6 de abril.

Com 83% dos votos da primeira volta contabilizados, Solís surge com 30,9%, contra 29,6% de Araya. A abstenção rondava os 31,75%.

A 6 de abril, os eleitores terão de decidir se querem dar ao PAC o seu primeiro Governo ou dar o terceiro mandato consecutivo do PLN.

Apesar de nunca ter sido apontado como um dos favoritos nas sondagens, Solís surpreendeu tudo e todos ao sair vencedor da noite eleitoral. Eufórico, enfatizou que o seu objetivo é fazer da política um espaço de entendimento e concórdia, de respeito à verdade e à honestidade, como "o povo da Costa Rica pediu".

O politólogo, professor e historiador de 55 anos, que deixou o PLN em 2005 dizendo estar farto da corrupção e do neoliberalismo, disse querer "estender a mão a todos os sectores que querem essa política distinta".

E insistiu em propôr um país "limpo de corrupção", com um Estado eficiente, justiça social e respeito das liberdades. "Esta noite, ainda há quem pense que não governaríamos e governaremos", afirmou, citado pelo jornal costa-riquenho La Nacion.

Araya, que foi presidente da câmara de San José durante 22 anos, defendeu que o país não está num momento de fazer experiências, improvisar ou fazer propostas sem equipa. "Este país não pode aceitar os que quiseram apagar a memória histórica e pensar que na Costa Rica está tudo mal", afirmou.

Araya, sobrinho de Luis Alberto Monge que foi presidente entre 1982 e 1986, começou a sua carreira política num movimento de esquerda, antes de se converter ao liberalismo. Durante a campanha, prometeu assegurar uma melhor distribuição da riqueza e compensar um dos défices públicos mais elevados do continente.

Araya tinha disputado em 2010 as primárias do PLN, perdendo então para Laura Chinchilla, que se tornou na primeira mulher a subir à presidência da Costa Rica.

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