PC Cubano: Europa "não tem moral" para criticar

O Partido Comunista Cubano entende que a Europa "não tem moral" para criticar Cuba quando exige a libertação dos presos políticos e acusou os países europeus de estarem a fazer "um grande escarcéu" à volta de um "mercenário".

"Os países europeus, a grande potência europeia, não têm moral para criticar Cuba porque a primeira coisa que deveriam fazer é reconhecer que são culpados pelas consequências nefastas que o colonialismo trouxe para o terceiro mundo e depois a maneira desigual com que tratam o nosso país, quando nem sequer usam parte do seu Produto Interno Bruto para salvar milhões de vidas que morrem por falta de medicamentos e de fome", criticou o líder comunista cubano, Dennis Guzmán, presente em Lisboa para preparar o 12º Encontro Internacional de partidos comunistas.

Quinta feira, o Parlamento Europeu exigiu a libertação imediata de todos os prisioneiros políticos em Cuba, condenando a morte "desnecessária e cruel" do dissidente Orlando Zapata Tamayo e advertindo para o "estado alarmante" de outros prisioneiros.

Em declarações à Lusa, Dennis Guzmán admitiu que Cuba não se vê "como um país perfeito", mas não aceita as críticas do Parlamento Europeu.

"Somos seres humanos e também erramos quando tentamos fazer bem as coisas, mas é inadmissível para nós esta campanha, esta condenação do Parlamento Europeu, um Parlamento que fala muito pouco da prisão que os Estados Unidos têm em Guantanamo", acusou.

No entender deste líder do Partido Comunista Cubano, "há uma feroz campanha difamatória" contra Cuba e não percebe o "grande escarcéu" que se está a fazer em torno de uma pessoa que, aos olhos de Cuba, é um "mercenário".

"Há uma diferença de conceitos entre aquilo que nós consideramos um mercenário ao serviço de uma potência que agride o nosso país e um dissidente porque eu sou um dissidente quando não entendo algo que se passa no meu país e discordo. Porque dissentir é ser dissidente", defendeu Dennis Guzmán.

Contra as acusações que são feitas a Cuba, o líder comunista diz mesmo que o país tentou "salvar a todo o custo" Orlando Zapata Tamayo.

"Não há moral neste mundo para criticar a revolução cubana pela morte desse indivíduo porque nós em Cuba lutámos por uma revolução pela vida e não pela morte e lutámos contra uma ditadura sangrenta", sublinhou.

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