Obama indeciso sobre papel dos EUA na Síria

O presidente norte-americano, Barack Obama, disse estar a ponderar se os Estados Unidos devem, ou não, envolver-se no conflito na Síria, de acordo com uma entrevista hoje publicada na revista New Republic.

"Numa situação como a Síria, tenho que perguntar: podemos fazer a diferença? Será que uma intervenção militar teria algum impacto? Como afetaria isso a nossa capacidade de apoio às tropas que ainda estão no Afeganistão?", questionou.

"Quais seriam as consequências do nosso envolvimento no terreno? Poderia desencadear ainda mais violência ou o recurso às armas químicas? O que oferece melhor perspetiva de estabilidade de um regime pós-[Bashar al]Assad? E como avalio as dezenas de milhares de mortos na Síria 'versus' as dezenas de milhares que estão a morrer atualmente no Congo?", acrescentou.

"E aquilo que tenho constantemente de avaliar é onde e quando podem os Estados Unidos intervir ou atuar de forma a servir os nossos interesses, aumentar a nossa segurança, e traduzir os nossos mais altos ideais e o nosso sentido de humanidade", disse.

Obama sublinhou que todas estas questões o deixam "mais consciente (...) não só das incríveis forças e capacidades, mas também das limitações" norte-americanas.

Mais de 60.000 pessoas morreram em 22 meses de revolta síria, de acordo com a ONU.

Perto de 600.000 sírios em cerca de dois milhões de deslocados fugiram para os países vizinhos, muitos dos quais vivem em campos improvisados. As Nações Unidas afirmam que quatro milhões de sírios precisam de ajuda de emergência.

O presidente norte-americano disse que, no processo de decisão, tem de avaliar todas estas questões e esperar que, no final do mandato, possa olhar para trás e contar mais decisões certas do que erradas.

A coligação nacional síria - oposição reconhecida pelos países ocidentais - lembrou hoje, numa reunião em Paris, a necessidade de um apoio financeiro e material concreto, incluindo armas.

Os países ocidentais têm recusado, até agora, fornecer armas por recear que venham a cair nas mãos de grupos islamitas na Síria. A UE vai analisar, no final de fevereiro, em Bruxelas, o embargo de armas à Síria, mas o fim total ou parcial deste embargo deve ser aprovado por unanimidade.

Na reunião dos Amigos do Povo Sírio, a 12 de dezembro em Marraquexe, mais de 100 países árabes e ocidentais reconheceram a coligação nacional síria como o "representante legítimo do povo sírio", tendo sido prometidos 145 mil milhões de dólares.

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