Henrique Capriles justifica ausência do "diálogo nacional"

O Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, inicia hoje um "diálogo nacional" na sequência de três semanas de protestos contra o seu governo e de manifestações estudantis, por vezes violentas, do qual estará ausente o líder da oposição, Henrique Capriles.

Capriles, derrotado à justa por Maduro nas presidenciais de abril de 2013, convocadas após a morte por doença do antigo chefe de Estado Hugo Chávez, assegurou hoje que a oposição "está a favor da paz", mas advertiu que não participará num "séquito", numa referência ao convite para a "Conferência nacional da paz" convocada por Maduro e prevista para hoje.

"Recebemos uma chamada a convidar-nos para esta conferência de paz. Claro que somos a favor da paz e do diálogo, mas como temos dito não vamos fazer parte de um séquito, o país não está para séquitos" mas para "estabelecer uma agenda, para assumir um compromisso", disse.

As modalidades desta conferência, para a qual foram convidadas "todas as correntes sociais, políticas, corporativas, religiosas", não foram precisadas pelo herdeiro político de Hugo Chávez.

No entanto, a Mesa de unidade democrática (MUD), principal coligação da oposição e que integra o partido de Capriles, deveria pronunciar-se hoje sobre a sua participação na iniciativa.

O governador do estado de Miranda lamentou ainda que após quase três semanas de protestos, com um balanço de 15 mortos e 150 feridos, o governo continue a insistir em "técnicas repressivas" e a "apagar o fogo com gasolina".

"O governo fala de diálogo, fala de paz, não pode ser um apelo vazio, sem conteúdo. Como alcanças a paz, como podes resolver uma situação de conflito? Tens de ter vontade para o fazer, não se trata de reuniões nem de ir ao palácio de Miraflores para ficar na fotografia, ou escutar um discurso", acrescentou durante uma entrevista ao circuito de rádios privadas Unión Radio.

Em dezembro, Maduro tinha já apelado aos presidentes de câmara e governadores da oposição a um diálogo sobre o tema da insegurança, que não se concretizou.

Mas o Presidente continua convencido sobre a "conclusão de grandes acordos" durante esta conferência. O patronato, muito crítico face ao Governo, e o episcopado, já confirmaram a sua presença. Pelo contrário, os líderes estudantis e os reitores das universidades não terão sido convidados, de acordo com informações recolhidas pela agência noticiosa AFP.

Esta iniciativa surge na sequência de uma nova marca de estudantes venezuelanos que decorreu na terça-feira mas com fraca mobilização, e que ilustra algum esgotamento do movimento desencadeado em 4 de fevereiro contra o governo "pós-chavista".

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