Guarda Nacional dispersa marcha de estudantes

O presidente da Câmara Municipal de Baruta, Gerardo Blyde, denunciou hoje que oficiais da Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polícia militar) fizeram "uso desmedido" da força para dispersar uma manifestação de centenas de estudantes em Caracas.

Segundo o autarca, a GNB atacou os estudantes, em três ocasiões, com jatos de água e bombas de gás lacrimogéneo, quando alguns manifestantes tentavam bloquear um dos acessos à autoestrada Francisco Fajardo (que une as partes oeste e leste da cidade).

"Houve um pequeno grupo que tentou bloquear o acesso mas foi dissuadido com o primeiro bombardeamento, mas seguiram-se dois novos bombardeamentos, mesmo quando as pessoas já não estavam na autoestrada. Pareceu-me desnecessário o segundo e terceiro", disse.

Segundo Gerardo Blyde, pelo menos 15 pessoas receberam tratamento por ferimentos ocasionadas pelo ataque da polícia e por dificuldades respiratórias, pelo que pediu à Guarda Nacional para "medir as ações que toma para controlar a ordem pública", sublinhando que no local estiveram oito blindados militares.

A manifestação, que contou com o apoio de centenas de pessoas, foi convocada pelos estudantes, em protesto contra a escassez de produtos no país, para condenar a violência e exigir ao executivo que desarme a população. Serviu também para pedir a liberdade de colegas e de políticos que estão presos.

Na manifestação participaram vários líderes opositores, como o ex-candidato presidencial Henrique Capriles Radonski, e o presidente da Câmara Metropolitana de Caracas, António Ledezma.

Por outro lado, na cidade de Valência (150 quilómetros a oeste de Caracas), um grupo de cidadãos que participava numa marcha de protesto detetou e "neutralizou" um "infiltrado armado", que foi entregue às autoridades.

Segundo Edwin Gómez, do partido Vontade Popular, o individuo trazia identificação de sargento da Guarda Nacional Bolivariana e tentou puxar da pistola durante a manifestação.

Entre os vários protestos que se realizaram hoje, centenas de pessoas manifestaram-se em Los Salias, a sul de Caracas, uma localidade onde reside um grande número de portugueses.

Desde 12 de fevereiro que opositores do Governo venezuelano realizam manifestações diárias nas ruas, e tentam o bloqueio de algumas estradas do país.

Pelo menos 14 pessoas morreram, dezenas foram feridas e mais de 500 foram detidas durante os protestos.

Quarta-feira o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, atribuiu a morte de "mais de 50" cidadãos à violência e por barricadas que impediram as pessoas de receber cuidados médicos, em diferentes localidades.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG