Greve de fome em Guantánamo

Quarenta e cinco advogados de presos de Guantánamo escreveram ao chefe do Pentágono, Chuck Hagel, para o alertar sobre uma greve de fome "massiva" na prisão, que constitui uma "séria ameaça para a saúde e a vida dos prisioneiros."

Numa carta divulgada pela agência noticiosa AFP, os 45 signatários evocam uma carta enviada por 12 deles ao comandante da prisão, da qual afirmam não ter obtido resposta.

Por essa razão, apelam ao secretário da Defesa, que, enquanto senador republicano, defendeu em 2005 que a polémica prisão era uma das razões pelas quais os Estados Unidos haviam perdido "a guerra da imagem no mundo".

Os advogados afirmam que, segundo informações "corroboradas" por cada um deles no local, "a maioria dos homens no campo 6, que tem o maior número de presos de Guantánamo (166) está em greve de fome desde 06 de fevereiro", data de uma rusga na prisão.

Na segunda-feira, os responsáveis prisionais disseram que apenas nove prisioneiros tinham prosseguido no protesto, dos quais cinco estavam a ser alimentados por tubos.

"A sua saúde está a deteriorar-se", disseram os advogados. Segundo a carta, os detidos perderam entre 9 e 13 quilos e pelo menos 24 presos perderam a consciência devido aos baixos níveis de glicose no sangue.

Esta greve da fome terá sido "precipitada por apreensões repetidas do Corão dos detidos, que foram percecionadas como uma profanação religiosa, e pelas buscas e apreensão de outrs pertences pessoais, como cartas e fotos de família ou a correspondência dos advogados, aparentemente sem motivo", escreveram os advogados a Chuck Hagel.

Os causídicos acreditam que as rusgas são realizadas "no contexto das práticas repressivas, que nos últimos meses marcam um regresso a uma era de outrora de Guantánamo" que os presos consideram como de "maus tratos".

As autoridades militares de Guantánamo disseram à AFP que "nada de anormal aconteceu [a 06 de fevereiro] durante essa busca de rotina.

"Nenhum guarda de Guantánamo toca no Alcorão de um prisioneiro. O Alcorão é tratado com o maior respeito", garantiu o capitão Robert Durand, diretor de comunicação de Guantánamo.

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