Greve de fome de prisioneiros dura há seis meses

A greve de fome que os presos de Guantánamo estão a realizar completa hoje seis meses, um protesto sem precedentes que chamou a atenção para os mais de 150 homens detidos na prisão norte-americana sem acusação ou julgamento.

A greve de fome começou no dia 06 de fevereiro como uma reação espontânea a uma limpeza das celas, na qual os guardas alegadamente manusearam erradamente cópias do Corão, mas depressa cresceu para um protesto em massa contra o limbo legal dentro das paredes da prisão da campanha da guerra contra o terrorismo.

Esta ação de protesto fez com que o Presidente dos EUA, Barack Obama, renovasse em maio o seu compromisso, feito há quatro anos, quando iniciou o primeiro mandato, de fechar estas instalações controversas.

No entanto, muitos dos obstáculos políticos e legais ao fecho da prisão ainda se mantêm, o que significa que dezenas de detidos, que têm sido alimentados à força através de tubos nasais, estão longe de conseguir voltar para casa.

Depois de a maioria dos 166 prisioneiros ter suportado o mês de jejum muçulmano do Ramadão debaixo de um sol escaldante, apenas 57 permanecem em greve de fome, um número abaixo do recorde registado em junho de 108 prisioneiros.

Em declarações à agência de notícias France Presse, um porta-voz da prisão disse que esta greve de fome "não tem precedentes na sua extensão e na sua magnitude".

"O que eles exigem agora é não estar detidos. Isso é diferente das últimas greves de fome. Em 2005 e 2006 falavam das condições de detenção", afirmou Robert Durand.

De acordo com as contagens da prisão, são considerados em greve de fome todos os que não comerem nove refeições consecutivas.

No final do mês de maio, Obama designou um enviado especial para coordenar a libertação dos prisioneiros e anunciou o levantamento de uma moratória para o repatriamento de 56 iemenitas, mas até agora nenhum foi libertado.

A moratória foi imposta depois de a Al-Qaida da Península Arábica -- filial iemenita da rede terrorista que conta com ex-prisioneiros de Guantánamo nas suas fileiras -- ser relacionada com um plano frustrado para abater um avião de passageiros norte-americano em 2009.

A Al-Qaida da Península Arábica é vista como o ramo mais sofisticado da rede terrorista e, mais recentemente, tem sido associada a um alerta global sobre atentados bombistas, que levou a que duas dezenas de postos diplomáticos dos Estados Unidos fossem fechados durante esta semana.

Dos 166 prisioneiros de Guantánamo, 86 detidos, de várias nacionalidades, viram a sua libertação ser aprovada pelas autoridades norte-americanas.

A Casa Branca disse no mês passado que repatriaria dois prisioneiros argelinos como parte dos esforços para finalmente fechar as instalações criadas no rescaldo dos ataques do 11 de setembro de 2001.

A prisão foi criada para deter suspeitos da Al-Qaida, mas acabou por receber centenas de homens apanhados nos campos de batalha no Afeganistão ou entregues por governos estrangeiros.

Barack Obama prometeu fechar as instalações prisionais em 2009, mas os esforços da administração foram impedidos pelo Congresso, que barrou a transferência de qualquer detido para solo norte-americano para julgamento ou detenção.

Enquanto isso, cerca de 40 grevistas têm sido amarrados a cadeiras e alimentados à força, estando pelo menos um hospitalizado.

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