Dezenas de detidos, 'apagões' e feridos no Chile

Polícias feridos, dezenas de detidos e cortes de energia, que afetam cerca de cem mil pessoas, é o balanço preliminar dos incidentes desta noite, no Chile, pelo 40.º aniversário do golpe de Estado que instituiu a ditadura.

No total, em todo o país, foram detidas pelo menos 70 pessoas na sequência de confrontos entre os manifestantes e as forças de ordem chilenas, escreve a Efe.

Um dos 15 polícias feridos, o general Rodolfo Pacheco, chefe da zona metropolitana oeste, teve de ser transportado de helicóptero para o hospital depois de atingido por uma pedra no rosto, a qual quase lhe comprometeu um olho.

Uma general da mesma instituição, que não se identificou, declarou aos jornalistas que deram entrada na mesma unidade hospitalar outros nove polícias, tendo sido reportada a existência de pelo menos mais cinco agentes feridos em diversas localidades da capital.

Segundo relatos da rádio, citados pela Efe, um dos polícias foi atacado com ácido.

Em Santa Adriana, uma zona pobre, foram ouvidos disparos de metralhadora e um supermercado foi atacado por uma multidão.

Pelo menos dois quartéis da polícia foram atacados também durante a noite. Jornalistas foram também alvo de ataques, com pedras e disparos, tendo de se esconder atrás das viaturas policiais.

Segundo as emissoras de rádio, pelo menos três miniautocarros de transporte público e outros dois veículos particulares foram incendiados e diversas zonas de Santiago do Chile ficaram sem energia elétrica na sequência de curto-circuitos provocados pelos manifestantes.

A empresa Chilectra indicou estar a trabalhar para repor o abastecimento de energia elétrica, cujo corte afetou cerca de cem mil clientes em todo o Chile.

Em Valparaíso, a 120 quilómetros a oeste da capital, os confrontos ocorreram na parte alta da cidade, onde alguns grupos de encapuzados armados atacaram, com armas de fogo, polícias.

Em Temuco, dezenas de pessoas tentaram erguer barricadas perto do Hospital regional, tendo sido travadas por um grupo de operações especiais da polícia que conseguiu deter sete manifestantes.

Por outro lado, milhares de velas foram acesas, esta noite, na capital chilena e noutras cidades , para recordar as vítimas da ditadura, 40 anos depois do golpe do Estado que depôs o Presidente Salvador Allende.

Só no exterior do Estádio Nacional, o principal recinto desportivo do Chile, local que serviu de centro de detenção, tortura e de execuções durante os primeiros meses da ditadura, juntaram-se se centenas de pessoas, tendo organizações de defesa dos direitos humanos realizaram uma atividade que terminou sem incidentes.

Dezenas de familiares das vítimas da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), munidas, igualmente, de velas, concentraram-se também perto da sede do Executivo, um outro palco de atos de tortura durante o regime militar.

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