Confissões confirmam que Venezuela é santuário da ETA

Confissões de dois membros da ETA que estão detidos e provas documentais confirmam os indícios de que a Venezuela se tornou num santuário da organização terrorista, depois de a pressão da colaboração entre autoridades espanholas e francesas ter terminado com o porto seguro que o Sul de França representava para os independentistas bascos.

Juan Carlos Besance e Xabier Atristain foram detidos a 29 de Setembro, em Guipúzcoa. Segundo o El País, durante os interrogatórios, ambos admitiram que viajaram para a Venezuela em 2008, para um curso de armas. À sua espera estava Arturo Cubillas Fontán, nomeado em 2005 como director adjunto da Oficina de Administração e Serviços do Ministério da Agricultura e Terras da Venezuela.

Cubillas Fontán é um dos visados numa investigação do juiz de instrução Eloy Velasco, sobre um plano para assassinar personalidades colombiansa em território espanhol, no qual membros da ETA e da organização terrorista colombiana FARC beneficiaram de "cooperação governamental venezuelana". Segundo este juiz da Audiência Nacional de Espanha, Cubillas Fontán era "responsável pelo colectivo da ETA naquela parte da América desde 1999" e "coordenava as relações entre as FARC e a ETA e a participação de membros da ETA em cursos de manuseamento de explosivos e de técnicas de guerrilha urbana".

Esta acusação criou uma forte polémica entre Espanha e o governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez. Além do cargo no Ministério da Agricultura, Cubillas é casado com uma venezuelana, Goizeder Odriozola Lataillade, que já ocupou vários cargos públicos desde que Chávez chegou ao poder. O mandado de detenção internacional não teve qualquer resposta por parte de Caracas e Cubillas continua a viver em liberdade, adianta ainda o El País.

De acordo com os dois etarras, a ida à Venezuela foi-lhes justificada por Mikel Carrera 'Ata', que já foi líder das ETA, pelo facto de aquele país latino-americano ser "mais seguro que França". De acordo com o mesmo jornal, os relatos dos dois detidos indicam que, para os terroristas bascos, a Venezuela e transformou num local de "descanso, treino e assessoria de organizações armadas amigas como as FARC".

Também em Março foi detido, no Nordeste de França, José Lorenzo Ayestaran Legorburu, conhecido por "Fanecas", um dos quatro membros da ETA que estiveram refugiado na Venezuela e aos quais chegou a ser proposto um processo de nacionalização. "Fanecas" fugira para a América Latina em 1984, depois de ter participado em dez assassinatos entre 1979 e 1983, enquanto membro dos comandos da ETA.

As confissões e os documentos agora obtidos confirmam as informações recolhidas no computador de um chefe das FARC, Raúl Reyes,apreendidos quando este guerrilheiro foi morto pelas forças colombianas, e explicam o porquê de nos últimos anos, segundo os serviços de inteligência espanhóis, muitas pessoas ligadas à ETA terem-se mudado de França e do México para a Venezuela.

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