Amish acusados de crimes de ódio por cortar cabelos

Membros de um grupo Amish foram considerados culpados de crimes de ódio por forçar o corte de barbas e cabelos de membros da comunidade, em Ohio, nos EUA. Os 16 membros do grupo religioso encaram agora penas de pelo menos 10 anos de prisão.

Os incidentes foram espoletados por disputas religiosas. Segundo a crença Amish os cabelos e barbas têm significado espiritual pois acreditam que a Bíblia instrui as mulheres a usarem cabelos longos e os homens a não cortarem a barba depois do casamento.

O líder Amish Samuel Mullet foi acusado de encorajar os ataques executados por seis mulheres e dez homens, quatro dos quais eram seus filhos. Os advogados de defesa argumentam que os ataques ocorreram, mas foram disputas familiares e não crimes de ódio.

Mullet terá feito telefonemas provocatórias para as vítimas depois dos ataques e recebido um saco cheio de cabelos de uma das vítimas, segundo o Ministério Público, citado pelo jornal britânico BBC News.

Um bispo Amish testemunhou que a sua barba, que geralmente pendia pelo peito, foi cortada até ao queixo, depois de arrastado para fora de sua casa durante a noite por quatro ou cinco homens. Outras testemunhas explicaram que Mullet controla a comunidade há duas décadas.

Em 2011, o líder afirmou à Associated Press que não tinha ordenado os ataques, mas também não os tinha impedido e que queria enviar uma mensagem aos outros grupos Amish de que deveriam envergonhar-se pela forma como tinha tratado o seu grupo. Mullet havia recebido críticas por ser demasiado rígido e ostracizar elementos da sua comunidade.

Dentro da comunidade Amish, os crimes raramente são denunciados à polícia e as punições são decididas internamente. Algumas das vítimas dos ataques recusaram-se a apresentar queixa. Uma das mais comuns punições é dormir em galinheiros.

Ohio tem uma população de cerca de 61 mil Amish. O segundo estado com maior população da religião que rejeita tecnologias como os telemóveis ou os automóveis, logo a seguir à Pensilvânia.

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