Alegria e desilusão entre portugueses da Venezuela

Os resultados das presidenciais de domingo na Venezuela causaram "muita alegria" e "grande desilusão" entre a comunidade portuguesa radicada no país, com alguns dos seus membros a revelarem-se confiantes no futuro e outros a temerem momentos difíceis.

"Só tenho razões para festejar, sinto uma imensa alegria. Nem consigo expressar, apenas posso dizer que ganhou (Nicolás) Maduro, o meu candidato. Agora ele tem que dar continuidade a esse grande projeto do presidente Hugo Chávez, de fazer da Venezuela um país potência", disse Manuel de Freitas à agência Lusa.

Natural da Madeira, com 51 anos e proprietário de um pequeno restaurante, este comerciante insistiu em recordar "que a Venezuela mudou socialmente" e que "a revolução bolivariana conseguiu melhorar o nível de vida das pessoas, deu-lhes dignidade".

"Mas dignidade também no campo político. Antes as pessoas tinham medo de dizer que eram de esquerda e com estas eleições ficou demonstrado que a maioria apoia este projeto de esquerda", disse.

Contrariada com os resultados, a madeirense Maria Júlia Teixeira, de 55 anos, disse temer que venham "momentos muitos difíceis para a Venezuela", receando que o país esteja a "enveredar rapidamente para um castro-comunismo".

"Depositei a minha esperança em (Henrique) Capriles, mas perdemos. Sinto uma grande desilusão, uma incerteza sobre o que se vai passar nos próximos tempos", salientou.

Também dececionado, mas conformado com os resultados, o luso-descendente Nelson Severim explicou à Lusa que o grande desafio da Venezuela será promover a tolerância.

"O país está dividido e não pode continuar assim. As pessoas olham-se com desconfiança porque pensam de maneira diferente. O novo Presidente tem de promover a tolerância e governar entendendo que metade da população não está de acordo com as suas políticas e quer mais segurança e menos divisionismo", disse.

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