Este inverno, os parisienses estão proibidos de se aquecer à lareira

As lareiras clássicas a lenha vão ser interditas na região de Paris a partir de 1 de janeiro, e já se ouvem os protestos dos locais.

Por decreto intermunicipal, a partir de dia 1 de janeiro de 2015 vai ser proibido acender fogos de lareira em Paris e nos municípios circundantes. Não é uma medida sem precedentes - os fogos de lareira já foram interditos em Londres e na Suíça - mas está a revoltar os franceses.

Segundo um estudo do CNRS (Centro Nacional de Investigação Científica, na sigla francesa), o ar que se respira em Paris, nas alturas de poluição elevada, é equivalente ao de uma sala de 20 metros quadrados com oito fumadores. A decisão de interdir as lareiras é motivada por uma tentativa de diminuição da poluição.

O Le Parisien cita dados que mostram que o fumo das lareiras contribui para mais de 23% da poluição por partículas finas (que são cancerígenas) em Paris, o que é tanto como a circulação automóvel. Além da poluição exterior, as lareiras emitem contaminantes para o ar do interior das casas, segundo o France TV Info.

Nada disto parece, porém, convencer os franceses. Num furioso artigo de opinião no Le Figaro, o escritor André Bercoff dispara: "Pouco importa que, desde a Pré-história, o encontro ao redor de um fogo tenha sido o primeiro a criar o grupo, o agregado. Pouco importa que dos 7 aos 97 anos nós sejamos, há milénios, fascinados pelas chamas." E acrescenta: "O princípio da precaução triunfa assim sobre o da emoção, e é bem assim, porque é preciso proteger a humanidade dela própria".

Outro tema que está a causar revolta junto dos franceses é o facto de que nem todas as lareiras estão interditas. Se estas não forem o sistema principal de aquecimento e se estiverem instalados equipamentos muito eficientes de controlo de poluição, estas ainda são permitidas. André Bercoff acusa cinicamente "Nós, as pessoas de poder e autoridade, não somos cães. Se tiverem os meios, podem sempre dotar-se de chaminés fechadas: custar-vos-á entre três e seis mil euros".

Félicie le Dragon, da Côté Maison, queixa-se, como muitos, da pequena diferença que diz fazer esta interdição para a poluição, por oposição à criação de leis que regulamentem mais de perto as indústrias. E conclui: "Voltamos ao que eu digo sempre: culpabilizamos o particular e deixamos andar o industrial, porque a indústria, essa sim, cria empregos".

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