Dilma quer Brasil unido em busca de "um futuro melhor"

A atual presidente Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT) conseguiu 51,64% dos votos contra os 48,36% de Aécio Neves, o candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) nas presidenciais de domingo no Brasil, revelaram os dados oficiais.

A presidente reagiu logo no Facebook onde escreveu "Muito obrigada! #Dilmais4anos". Quase sem voz, Dilma começou mais tarde o seu discurso de vitória, em Brasília, a agradecer aos aliados. Sem esquecer o agradecimento especial "ao presidente Lula", desencadeando os cânticos de "Olé, Olé, Olé Olá, Lula, Lula!"

A presidente teve de pedir "um pouquinho de silêncio porque minha voz se foi". E acrescentou: "Estou usando um restinho de voz". Aos apoiantes disse: "Chegámos ao final de uma disputa eleitoral que mobilizou intensamente todas as forças do nosso país. Como vencedora, eu tenho simultaneamente palavras de agradecimento e de conclamação". A presidente afirmou ainda não acreditar que as eleições tenha dividido o país, mas que mostraram antes uma população "movida por um sentimento comum: a busca por um futuro melhor para o país".

Já Aécio recebeu a derrota rodeado de mulheres. O candidato tucano estava em casa da irmã Andrea, em Belo Horizonte, com a mulher, Letícia, a mãe, Inês Maria, e a filha mais velha, Gabriela, revelou a Veja. Já na sede do PSDB em São Paulo, foi com lágrimas que os apoiantes de Aécio receberam a notícia da vitória de Dilma.

Por volta das 23:15 de Lisboa, Aécio falou aos apoiantes e ao país. O candidato do PSDB disse ter ligado a Dilma a dar-lhe os parabéns. E agradeceu aos "mais de 50 milhões de brasileiros que apontaram o caminho da mudança" e que permitiram "voltar a sonhar com a construção de um novo projeto". Aécio garantiu que deixa a campanha "mais vivo do que nunca, mais sonhador do que nunca, com sentimento de que cumprimos o nosso papel".

Entre os apoiantes da presidente a festa não tardou. E a revista Veja garante que Dilma estará a comemorar a vitória no palácio da Alvorada, em Brasília, com o antecessor, Lula da Silva, ao seu lado. No Rio de Janeiro, nem a chuva parou os apoiantes petistas e gritou-se nas ruas "É tetra! É tetra!", celebrando a quarta vitória consecutiva do PT, duas de Lula e duas de Dilma. E quando a chuva começou a cair mais forte, o apoiantes da presidente gritaram: "São as lágrimas de Aécio", relatou o site de O Globo.

Agora, a presidente terá pela frente um segundo mandato que promete ser mais difícil do que o primeiro. O seu primeiro desafio será o de ultrapassar o escândalo do petrolão, escândalo de corrupção da estatal Petrobras e do qual a revista Veja a acusou, a ela e a Lula, de estar a par.

O outro grande desafio de Dilma será unir o Brasil, depois de uma vitória renhida que mostra bem a divisão do povo brasileiro. Além de ter de lidar com um Congresso, ele próprio, dividido.

Treze Estados, incluindo o Rio de Janeiro, e o Distrito Federal, votaram também para governadores na segunda volta. O Distrito Federal do Brasil elegeu o candidato da oposição, Rodrigo Rollemberg, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), como novo governador, enquanto no Rio de Janeiro, o candidato apoiado pelo partido no poder, Luiz Fernando Pezão, foi reeleito por mais quatro anos.

Durante a tarde, o Tribunal Superior Eleitoral divulgou um balanço em que afirma que 281 pessoas foram detidas por irregularidades eleitorais, como campanha à boca da urna, principalmente no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Houve a necessidade de substituir mais de 2.200 urnas eletrónicas.

Também foi registada uma morte durante o dia de votação, na cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte (Nordeste do Brasil), quando um jovem que se abrigou em um local de votação para fugir de um grupo que o perseguia, foi baleado com arma de fogo. Autoridades citadas pela imprensa local negaram que o crime tivesse relação com o escrutínio.

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