Diálogo UE-África "mais franco e aberto" facilita cimeira

O diálogo entre a União Europeia e os países africanos "está cada vez mais franco e aberto", o que poderá facilitar avanços em temas difíceis como a migração na cimeira UE-África, afirmou hoje diplomata europeu Nick Westcott.

"O diálogo está cada vez mais franco e aberto, por isso devemos conseguir escapar à retórica do passado", disse hoje o responsável pelos assuntos africanos do Serviço de Ação Externa Europeu durante um debate no Instituto Real de Relações Internacionais, em Londres, sobre a cimeira que terá lugar nos dias 02 e 03 de abril em Bruxelas.

O britânico adiantou que a declaração final terá resoluções sobre Agricultura, Ambiente, Economia e Comércio, enquanto a questão da migração, vincou, será discutida numa perspetiva de "encorajar uma situação em que ninguém se sinta forçado a mudar de país, mas em que, se houver vontade, existam meios e processos legais para o fazer".

Westcott referiu que, além da migração, as mudanças climáticas e os objetivos de desenvolvimento são "problemas em que a União Europeia precisa de resolver em conjunto [com os parceiros africanos] para encontrar boas soluções".

Este responsável acredita que, com o alargamento da União Europeia a leste transformou definitivamente as relações com África, vincando: "A Europa já não é composta de senhores colonialistas".

A IV Cimeira UE/África tem por tema "Investir nas Pessoas, Prosperidade e Paz", elegendo como prioridades, entre outras, as questões da segurança e do reforço da cooperação económica.

A primeira cimeira UE/África, iniciativa que teve em Portugal um dos principais promotores, realizou-se em 2000 no Cairo, altura em que as duas partes expressaram o empenho em criar as condições para dar uma nova dimensão às relações entre os dois continentes.

A segunda decorreu em 2007, em Lisboa, e permitiu equilibrar as relações entre África e Europa, avançando-se das tradicionais doações para um sistema de parceria económica, de forma a enfrentar os novos desafios e as novas oportunidades geradas pela globalização da economia.

Tripoli, ainda no regime do então líder líbio, Muammar Kadhafi, recebeu a terceira cimeira, em 2010, tendo as duas partes definido com maior clareza os critérios para o cumprimento da Estratégia Conjunta do acordado em Lisboa, sobretudo na transição da até então tradicional cooperação para o desenvolvimento para os Acordos de Parceria Económica (APE), cujas negociações estão ainda longe de concluídas.

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