Desacordos na cimeira sobre o clima fazem desta uma noite longa

A noite anuncia-se longa na capital do Qatar para as delegações e os ministros de todo o mundo que procuram ultrapassar os profundos desacordos em várias áreas na cimeira da ONU sobre as alterações climáticas, noticia a AFP.

Um novo acordo na luta contra estas alterações está a ser dificultado por discórdias em 'dossiers' como o do apoio financeiro aos países do sul.

A peça central do novo acordo deve ser um segundo período de vigência do Protocolo de Quioto, o único instrumento que compromete os países industrializados a reduzir os seus gases com efeito de estufa (GEE), mas que deve vir a ficar com um alcance simbólico.

As consultas multiplicam-se no último dia da conferência, que abriu em 26 de novembro, entre os representantes de 190 países.

O país que acolhe a conferência, o Qatar, tem a particularidade de ser o que maior emissor de dióxido de carbono por habitante.

Na discussão sobre a ajuda financeira ao Sul para enfrentar os problemas das alterações climáticas, estes países querem que os do Norte avancem uma ajuda de emergência de 30 mil milhões de dólares (23 mil milhões de euros) para o período 2010-2012 e prometam mais 100 mil milhões de dólares por ano até 2020.

Os países em desenvolvimento, com a Aliança dos Pequenos Estados Insulares à cabeça, querem ter a garantia de que o dinheiro vai ser entregue e reclamam 60 mil milhões de dólares até 2015.

Os países que devem pagar recusaram comprometer-se com estes valores e os negociadores procuram uma "fórmula" que "desenho um caminho para chegar aos 100 mil milhões de dólares", afirmou o ministro francês do Desenvolvimento, Pascal Canfin.

Os EUA, porém, estavam a opor-se a quáquer referência a uma "trajetória" que os comprometa no assunto, revelou um negociador.

Antes, o chefe da delegação dos países menos avançados, o gambiano Pa Ousman Jarju, dissera: "Não sairemos daqui sem uma garantia de que vai haver financiamento".

Um tema surpresa nas negociações, que se revelou outro obstáculo importante, foi a questão das indemnizações exigidas pelos países do Sul aos do Norte, por "perdas e danos" decorrentes das alterações climáticas, com um braço de ferro a desenrolar-se entre os países mais pobres e os EUA.

Os primeiros querem um mecanismo sobre o assunto, mas os norte-americanos receiam que a polémica evolua para ações em justiça.

Por fim, o ato II de Quioto, que devia começar em 01 de janeiro de 23013, continua a ser discutido.

A sua dimensão vai ser limitada, porque vai incluir apenas a União europeia e a Austrália, depois da retirada do Japão, da Rússia e do Canadá, ou seja, vai respeitar a apenas 15 por cento das emissões globais de GEE.

Nas semanas mais recentes, vários relatórios e estudos têm feito soar o alarme sobre a realidade das alterações climáticas e o facto de os esforços realizados estarem bem longe do necessário.

O mundo dirige-se para uma subida da temperatura média entre três a cinco graus, valores cada vez mais distantes dos dois graus, acima dos quais o sistema climático corre o risco de desequilíbrios fundamentais.

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