Crise económica e reservas de gás dominam presidenciais

A obtenção de um plano de resgate internacional e a gestão de importantes reservas de gás natural dominaram os debates para as eleições presidenciais de domingo no Chipre, ilha dividida do mediterrâneo oriental confrontada com uma profunda crise económica.

Pela primeira vez desde a independência de Chipre em 1960, após mais de 100 anos de domínio colonial britânico, os calorosos argumentos sobre a forma de reunificar o país -- dividido desde 1974 na sequência da invasão militar da Turquia --, foram relegados para segundo plano.

Agora, a prioridade consiste na forma de garantir um empréstimo internacional, que já começou a ser negociado por Nicósia com os credores internacionais (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), apesar do atual impasse.

Em junho, os líderes da República de Chipre (a 'parte grega' da ilha reconhecida internacionalmente e membro da UE após o 'grande alargamento" de maio de 2004) admitiram necessitar de cerca de 17,5 mil milhões de euros, incluindo 10 mil milhões para recapitalização da banca, particularmente exposta à dívida soberana grega.

Apesar de as autoridades cipriotas terem adotado nos últimos meses diversas medidas de austeridade, incluindo um aumento do IVA, recusaram proceder às privatizações exigidas pelos credores e as negociações entraram num impasse.

A zona euro, à qual o Chipre aderiu em janeiro de 2008, parece agora preferir aguardar pelo resultado das presidenciais para se pronunciar depois sobre o plano de resgate, num país onde a taxa de desemprego quase duplicou nos últimos anos, atingindo 14,7% em 2012.

Eleito em fevereiro de 2008 e líder do Partido Progressista dos Trabalhadores (Akel), o Presidente Dimitris Christofias, 66 anos e definido como o "único chefe de Estado comunista" da UE, decidiu não concorrer a um segundo mandato.

O grande favorito do escrutínio presidencial de domingo é Nicos Anastasiades, 66 anos, líder do partido da oposição União Democrata (Disy, direita), que segundo as últimas sondagens deverá obter a preferência da maioria dos 545.000 eleitores, com uma vantagem de 15% face ao independente Stavros Malas, 45 anos, apoiado pelo Akel. Mas, caso não garanta mais de 50% dos votos expressos, será forçado a uma segunda volta, em 24 de fevereiro.

No entanto, o antigo primeiro-ministro Giorgos Lillikas, 52 anos, um independente apoiado pelos socialistas e em terceiro lugar nas sondagens, assumiu-se como o candidato mais crítico face ao anunciado plano de resgate com a 'troika' internacional (UE, BCE e FMI).

Entre os 11 candidatos, Lillikas foi o único a defender com convicção a utilização imediata das grandes reservas de gás descobertas ao largo da ilha para relançar a economia, apesar de a sua exploração estar ainda numa fase embrionária.

As prospeções até agora efetuadas, em particular pelos gigantes do gás norte-americano, francês e italiano, sugerem a existência de cerca de 60 triliões de metros cúbicos de gás nos 13 blocos concessionados e incluídos na zona económica exclusiva da República de Chipre.

Alguns analistas acreditam que a exploração deste filão poderá garantir ao Chipre, no médio prazo, receitas perto dos 600 mil milhões de euros.

Mas de momento, Nicósia parece não ter outra alternativa para além da conclusão do acordo de assistência financeira com a 'troika', e que deverá ser a prioridade do futuro Presidente.

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