Dilma diz que combate à corrupção no Brasil começou com Lula

A Presidente brasileira, Dilma Rousseff, defendeu hoje o seu antecessor, Lula da Silva, em relação às denúncias que o ligam ao "mensalão" e afirmou que foi ele quem iniciou a atual etapa do combate à corrupção.

Rousseff, numa entrevista publicada hoje no jornal francês 'Le Monde', afirmou que nem ela nem seu Governo toleram a corrupção. Segundo a Presidente, se há suspeitas fundamentadas contra um funcionário público, ele deve deixar o cargo, mas sem que as medidas se tornem "a caça às bruxas própria dos regimes de exceção".

Em depoimento ao Ministério Público, o empresário Marcos Valério, condenado por ser executor do "mensalão", afirmou que o ex-Presidente deu seu aval aos empréstimos com os bancos brasileiros que financiaram o esquema de compra de votos de parlamentares.

Valério afirmou ainda que Lula da Silva teria negociado um pagamento da Portugal Telecom para o seu partido diretamente com o então presidente da operadora, Miguel Horta e Costa, que disse considerar as novas denúncias do uma "questão de política interna brasileira", e sublinhou que prestou, anteriormente, "todos os esclarecimentos" solicitados.

Questionada sobre se o Brasil consegue deter a corrupção, Rousseff afirmou que essa ilegalidade é uma "praga que afeta a todos os países". A Presidente defendeu que a sociedade tenha acesso a todos os dados governamentais, e que todos que utilizam fundos públicos devem "prestar contas".

Rousseff, que esteve nos últimos dois dias em Paris, juntamente com Lula da Silva, e se encontra hoje em Moscovo, realçou que, no Brasil, o Governo lançou o Portal da Transparência, que regista diariamente os gastos públicos.

A Presidente também mencionou a lei da Ficha Limpa, que impede pessoas condenadas em segunda instância de serem candidatas em eleições, a independência do Ministério Público e o trabalho de investigação da Polícia Federal.

"Quem começou essa nova etapa de governança foi o antigo Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva", disse, citada pelo "Le Monde".

Dilma Rousseff, já havia saído em defesa de Lula da Silva na quarta-feira, quando afirmou que as declarações de Valério eram uma tentativa "lamentável" de desgastar a imagem do ex-Presidente, que por sua vez já refutou todas as acusações.

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