Brasil é maior rota de passagem de coca para a Europa

O Brasil é a principal rota de passagem da cocaína produzida nos Andes que tem como destino o mercado europeu, aponta o Relatório Mundial sobre as Drogas 2011, divulgado hoje pelo gabinete da ONU para as Drogas e Criminalidade (UNODC).

"Em 2009, o Brasil foi o país de trânsito mais proeminente das Américas - em termos de número de apreensões - de remessas de cocaína apreendidas na Europa", diz o texto. Segundo o UNODC, o número de casos de apreensões que envolveram o Brasil como país de trânsito subiu de 25, em 2005 (339 quilos de cocaína), para 260, em 2009 (1,5 toneladas). As apreensões aumentaram também no Brasil, de 8 toneladas em 2004 para 24 em 2009. Da droga apreendida em 2009, 1,6 toneladas foram descobertas em cinco interceptações de aeronaves.

Utilizando dados da Organização Mundial de Aduanas, o relatório também cita que Venezuela, Equador, Brasil e Argentina, nessa ordem, foram os países mais importantes na distribuição total da cocaína andina em 2009. Além das rotas para a Europa, o Brasil também destacou-se como ponto de passagem da cocaína para a África. Entre os países sul-americanos, o Brasil foi o único identificado como porta de saída da droga apreendida nas aduanas africanas em 2009.

Apesar da subida nas apreensões de cocaína no Brasil, o plantio de coca nos países andinos caiu 32 por cento nos últimos dez anos - metade dessa queda ocorreu entre 2007 e 2010. A queda no plantio acompanha o declínio nas apreensões na América do Norte, principal mercado da cocaína. A queda mais acentuada na produção foi registada na Colômbia, país que, ao lado de Peru e Bolívia, concentra quase todo o plantio de coca no mundo. Segundo o UNODC, o uso de cocaína estabilizou-se na América do Sul e Central. O Brasil possui o maior número absoluto de consumidores - 900 mil - justificado pelo tamanho da população. Em termos relativos, o país registou uma taxa de prevalência de 0,7 por cento da população entre 15 e 64 anos, inferior ao registado nos vizinhos Argentina (2,6 por cento), Chile (2,4 por cento) e Uruguai (1,4 por cento).

Mais Notícias

Outras Notícias GMG