Coreia do Norte: viagem ao país das "famílias perfeitas"

Na Coreia do Norte, uma sociedade que se pretende "racialmente homogénea", casar é um dever e o divórcio e a homossexualidade não são sequer contemplados. Reportagem El Mundo para ler no DN.

Imagine um país em que as flores não murcham, os carros não fazem soar as buzinas e nem um só papel suja as ruas. Agora imagine que este país é habitado por homens que não reclamam quando chega a hora de ir trabalhar, mulheres que vestem saias abaixo do joelho e têm os cabelos acima do ombro e crianças habituadas a trocar o lápis pela vassoura no fim do dia escolar. Talvez não tenha dado sequer tempo à sua imaginação para que esta determine se é possível que exista um país assim, mas espere. Deixe-me acrescentar que nesse país não há gordos, cegos ou surdos. Também não há gays nem divorciados. Chegado a este ponto, acha impossível imaginar um país assim?

Pois Kim Jong-un não acha. Nem o seu pai, nem o seu avô antes daquele. A única dinastia comunista hereditária do planeta anda há quase 70 anos a achá-lo muito possível. Tanto que encarregou os seus 25 milhões de súbditos da tarefa obrigatória de tornar realidade esta "sociedade perfeita". E certificaram-se de que estes não se desviem do seu objetivo obrigando-os a todos a pertencer ao partido único, a que chamam dos Trabalhadores, mas que poderia muito bem ter sido nomeado Ingsoc em honra da estrutura orwelliana que reproduz.

"Quando acabamos a escola chega o momento de trocar o lencinho vermelho pela honorável insígnia, que simboliza que todos nós, coreanos, trazemos os nossos "queridos líderes" no coração. Entramos então na Liga Juvenil até nos casarmos..." A voz da menina Min falha quando fala de casamento. Com quase 30 anos ainda não está casada e, portanto, não pôde entrar na Liga de Mulheres, razão por que ainda não é "útil" aos olhos do partido. "O dever de toda a mulher coreana é trabalhar muito e formar uma família para assegurar o futuro da nossa grande nação", explica. A guia ainda vive em casa dos pais, já que no reino comunista as mulheres não podem aceder a uma habitação, como ela mesma reconhece: "Quando um homem e uma mulher se casam, o governo proporciona ao homem um lar onde criar os seus filhos juntamente com a sua mulher."

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