Conhecer Berlim em 36 horas (segundo um berlinense)

25 anos da queda do muro. Natural de Wannsee, o diplomata alemão Matthias Fischer lembra como era a vida com o muro que caiu a 9 de novembro de 1989.

Foram várias as vezes que atravessou o muro para a frente e para trás, da Alemanha Ocidental para a de Leste e vice-versa, mas há um dia que Matthias Fischer não esquece: o do concerto dos Genesis, em 1987, no jardim do Reichstag - edifício que hoje abriga o Parlamento da Alemanha reunificada.

"Eu ia ao concerto com um amigo que era americano, mas tivemos de atravessar o muro por dois sítios diferentes. Ele pelo Checkpoint Charlie, que era o que era usado pelos estrangeiros. E eu pelo Tränenpalast, ponto de passagem para os alemães cujo nome significa Palácio das Lágrimas. Havia do outro lado do muro também muitos jovens da Alemanha de Leste que queriam igualmente ouvir o concerto. Não podiam ver os músicos, mas queriam ouvi-los por detrás de muro. A certa altura, com o entusiasmo, as pessoas começaram a aproximar-se muito do muro e foram molestadas e afastadas por agentes da Stasi", conta o atual conselheiro económico da Embaixada da Alemanha em Lisboa.

Berlinense de origem, nascido na zona de Wannsee em 1961, considera que 25 anos depois da queda do Muro de Berlim (data que se assinala a 9 de novembro) já é muito difícil perceber o que ficava para cá e para lá dos blocos de betão que foram o símbolo maior da divisão provocada pela Guerra Fria. "Em termos de democracia e de direitos humanos foi muito rápida a absorção por parte da ex-RDA, já em termos económicos não foi tão rápida como se gostaria. Mas hoje, se viajarmos por zonas da ex-Alemanha de Leste, até têm melhores infraestruturas do que a parte ocidental", sublinha este alemão de 53 anos que fala um português perfeito e é casado com uma portuguesa.

Sentado a uma das mesas da agora desativada esplanada do jardim do Goethe-Institut, em Lisboa, explica, porém, de que forma é ainda possível perceber a cidade de Berlim antes e depois do muro. Aquela que é hoje a capital alemã, diz, é sobretudo uma cidade de bairros. "Se perguntar a um berlinense de onde é, ele não responde com a rua mas com o nome do seu bairro."

Uma visita de 36 horas, chegando a Berlim às 10.00 de sábado e partindo às 22.00 de domingo, pode começar em Friedrichshain. "É um bairro jovem e de estudantes. Aí, um dos partidos mais votados nas municipais é o Partido dos Piratas", explica, entre risos, sugerindo uma paragem ou um passeio pela Simon-Dach-Strasse a todos os que "quiserem respirar o ambiente jovem". Este bairro fica numa zona que antes pertencia à Alemanha de Leste.

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