Panda finge gravidez para ter mais bambu e mais cuidados

Uma panda gigante fingiu estar grávida durante dois meses para melhorar de vida no centro de investigação onde se encontra, na China. As fêmeas à espera da continuação da espécie recebem tratamento de luxo: uma jaula individual, com ar condicionado, tratadores 24 horas por dia e rações extra de pão, fruta e bambu.

"Assim que mostram os primeiros sinais de uma gravidez são notados, as pandas são levadas para um quarto individual, com ar condicionado e cuidados 24 horas por dia. Também recebem mais pão, frutas e bambu, por isso as pandas mais espertas usam isto a seu favor para melhorar a qualidade de vida", disse um especialista do Centro de Investigação de Reprodução do Panda Gigante Chengdu, Wu Kongju, citado pela agência noticiosa chinesa Xinhua.

Ai Hin mostrava todos os sinais de que podia estar à espera de um bebé panda em julho: falta de apetite, menos mobilidade e mudanças hormonais. Voltou ao estado normal, após dois meses de observação.

Dois meses durante os quais o centro a apaparicou e convidou os meios de comunicação para assistirem ao nascimento da cria. Seria a primeira vez que tal acontecimento seria registado em direto.

O centro teve de retirar o convite na segunda-feira explicando que se tratava de uma gravidez fantasma, situação que, aliás, não é inédita entre as pandas, uma espécie ameaçada de extinção e com grandes dificuldades para se reproduzir. As fêmeas podem apresentar sintomas de gravidez no período pró-gestacional e, notando a diferença (e a melhoria no tratamento), mantêm-nos.

Tem havido debate entre os investigadores da espécie sobre a atenção que deve ser dada a estas alterações hormonais. Descobrir se uma panda está realmente grávida é uma tarefa árdua, até porque os fetos são muito pequenos e uma ecografia pode não ser suficiente. Outra razão apontada por uma especialista: as fêmeas fingem porque é fácil fingir, engravidam poucas vezes e têm uma vida curta.

Existem apenas 1600 pandas no seu habitat natural, a maioria nas montanhas de Sichuan, a região chinesa onde está instalado este centro de investigação. Outros 300 vivem em cativeiro em jardins zoológicos de todo o mundo e não são grandes reprodutores. Apenas 24% destes dão à luz, o que é um desafio à sobrevivência da espécie.

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