Nobel lamenta não poder candidatar-se às presidenciais

A iemenita Tawakkol Karman, uma das galardoadas hoje com o Nobel da Paz 2011, lamentou não poder candidatar-se às presidenciais previstas para Fevereiro de 2012 no Iémen, numa entrevista à televisão norte-americana CNN.

"Eu quero ser candidata, as pessoas querem que eu seja candidata e querem também que outras pessoas sejam candidatas. Se eu fosse candidata, vencia. Mas autorizar-me-ão a candidatar-me?", questionou Karman numa entrevista dada após a cerimónia da entrega do Nobel em Oslo.

O Iémen deverá realizar eleições presidenciais antecipadas a 21 de Fevereiro de 2012 para substituir o Presidente Ali Abdallah Saleh, no poder há 33 anos mas que aceitou em Novembro abandonar o cargo no âmbito de um plano proposto pelos países do Golfo Pérsico.

O plano prevê, no entanto, que o vice-Presidente, Abd Rabbo Mansur Hadi, seja o único candidato a essas presidenciais para um mandato de dois anos, findos os quais deverão ser organizadas eleições legislativas e presidenciais.

"Isto é justo? As pessoas lutam, derramam o seu sangue, mais de 28.000 pessoas foram mortas ou feridas nas ruas lutando pela dignidade, pela democracia, pela liberdade, pelos direitos humanos e contra a corrupção. E dão-nos isto?", questionou Karman.

Primeira mulher árabe a receber o Nobel da Paz, Tawakkol Karman, 32 anos, jornalista, é uma das principais figuras do movimento popular que desde o início deste ano exige a saída de Ali Abdallah Saleh.

Karman esteve hoje em Oslo para a cerimónia de atribuição do prémio da Paz, que distingui em 2011 duas outras mulheres: a presidente liberiana Ellen Sirleaf Johnson e a líder de um movimento pacífico liberiano Leyman Gbowee.

Na cerimónia, Karman lamentou a relativa indiferença com que considera que a comunidade internacional tem olhado para a crise no Iémen.

"A comunidade internacional começou a mudar a sua posição (...) mas não é suficiente", disse, citada pela agência France Presse.

"Até agora, a comunidade internacional não apreendeu o dinheiro de Saleh nem lançou processos contra ele no Tribunal Penal Internacional, nem sequer criou a comissão de investigação de que falava na resolução 2014", disse.

Adoptada por unanimidade no Conselho de Segurança da ONU, a resolução 2014 condena a violação de direitos humanos no Iémen, onde a repressão fez centenas de mortos, e exige a saída do poder de Ali Abdallah Saleh.

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