Mulheres abandonadas em terreno após esterilizações

Mais de 100 mulheres foram deixadas inconscientes num terreno depois de terem sido submetidas a esterilizações na Índia oriental, por não haver lugar no hospital para recuperarem, disseram hoje responsáveis médicos.

Todas as mulheres tinham sido submetidas a procedimentos cirúrgicos num hospital do distrito de Malda, em Bengala Ocidental, a cerca de 360 quilómetros a norte de Calcutá.

Os mesmos responsáveis admitiram que o hospital não estava preparado para receber tantos doentes.

O caso foi divulgado na terça-feira pelo canal de televisão NDTV, que transmitiu um filme amador, no qual se viam mulheres inconscientes a serem levadas por homens, para fora do hospital e largadas num terreno.

Os responsáveis médicos locais reconheceram que o tratamento dado aos doentes era inaceitável e prometeram investigar.

"Mais de 100 mulheres, na maioria pobres, vieram ao hospital para fazer a cirurgia. Imediatamente após o procedimento, os médicos pediram aos ajudantes que levassem cada uma delas para um terreno adjacente" ao hospital, disse à agência noticiosa francesa AFP, em Calcutá, o diretor dos serviços de saúde de Bengala Ocidental, Biswa Ranjan Satpathi.

"Isto é desumano e ordenámos uma investigação ao incidente", acrescentou.

Peritos médicos afirmaram estar chocados com as condições no hospital, onde quatro cirurgiões realizaram 106 esterilizações num dia.

Um voluntário de uma campanha sanitária, que se encontrava no terreno, afirmou que algumas mulheres foram metidas em riquexós, depois da cirurgia, apesar de não se estarem em condições de efetuar qualquer tipo de deslocação.

"Uma mulher esterilizada no hospital caiu do carro no caminho para casa e teve que ser hospitalizada com ferimentos graves", disse Uday Roy, colaborador do Debalaya Trust, uma organização de voluntários que fornece serviços médicos gratuitos.

Ao contrário da China, a Índia não tem qualquer lei que limite o número de filhos por família.

Com uma população total de mais de mil milhões de pessoas, os governos locais oferecem incentivos, como automóveis e eletrodomésticos aos casais que decidam voluntariamente pela esterilização.

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