Líderes de protesto dos casinos acusados de desobediência

Cinco nomes fortes da associação de trabalhadores dos casinos Forefront of Macau Gaming foram acusados de desobediência qualificada por terem, alegadamente, quebrado uma barreira policial durante o protesto geral de 25 de agosto.

A notícia foi avançada na segunda-feira à noite pela TDM, emissora pública de Macau, e confirmada à agência Lusa pela polícia. Ieong Man Teng e Lei Kuok Keong, presidente e vice-presidente da associação, respetivamente, foram constituídos arguidos pelo crime de desobediência qualificada, juntamente com outros três líderes do grupo. Há cerca de dois meses que a Forefront of Macau Gaming tem vindo a liderar manifestações contra as operadoras de jogo.

Em causa está o protesto geral de 25 de agosto, convocado contra todas as operadoras de jogo, em que os manifestantes - que pediam aumentos salariais e melhores políticas de progressão na carreira - terão quebrado uma barreira policial.

Duas semanas depois do protesto, os líderes da associação foram notificados, mas só ontem divulgaram a situação.

"Se a polícia achou que tínhamos cometido algum crime, podia ter-nos detido e acusado naquele dia", disse à TDM Lei Kuok Keong.

À Lusa, a polícia explicou que o percurso da manifestação foi acordado previamente com os promotores, no entanto, chegada à altura, junto à Rua de Sintra, onde se encontrava a barreira policial, os manifestantes "ficaram muito agressivos e tentaram romper o cordão da PSP".

Esse objetivo terá sido cumprido, dizem as autoridades, "causando um problema de trânsito e um perigo à segurança dos peões".

Apesar de os manifestantes terem regressado ao circuito original, "violaram a lei", afirma a polícia. No mesmo dia, a PSP realizou um relatório e denunciou o caso ao Ministério Público que abriu uma investigação criminal. Na sequência desta investigação, os cinco membros da associação foram constituídos arguidos, diz a polícia.

Em declarações à TDM, Lei Kuok Keong garantiu que o grupo voltou ao trajeto original "depois do último aviso da polícia".

Os líderes da Forefront acusam a PSP de ter contactado as suas famílias, ao invés de os notificar diretamente.

"Os nossos familiares questionaram-se se também os estamos a implicar a eles, e se existe culpa por associação. Os nossos pais já têm alguma idade. Se começarem a ficar assustados, isso pode ser grave. Não percebo porque é que a polícia usa este método e tenho medo que venha às nossas casas para falar com os nossos familiares", disse o vice-presidente da associação à televisão de Macau.

A polícia não quis prestar esclarecimentos sobre os contactos com os familiares dos arguidos, apesar de a TDM ter noticiado que esta situação foi negada pela PSP.

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