Irão aberto a "diálogo de alto nível" com os EUA

O Irão está disponível para se envolver em conversações ao mais alto nível com os Estados Unidos, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros de Teerão, Mohammad Javad Zarif, em declarações citadas hoje pela agência oficial iraniana Irna.

"Um encontro não é um fim em si mesmo, nem é descartado. O Presidente [Hassan] Rohani não terá, em princípio, qualquer problema" em reunir-se com o homólogo norte-americano, Barack Obama, afirmou Mohammad Javad Zarif.

"Teria sido um bom começo", aditou o chefe da diplomacia iraniana, acabando com a especulação de que tal encontro deveria ter lugar, esta semana, em Nova Iorque, mas acabou por não acontecer.

Teerão saudou, esta quarta-feira, o "tom moderado e respeitoso" de Barack Obama, no discurso que proferiu na Assembleia-Geral da ONU, que foi igualmente elogiado pela imprensa iraniana.

As relações diplomáticas entre o Irão e os Estados Unidos estão cortadas desde a revolução islâmica de 1979, e os dois países encontram-se em conflito quanto ao dossier nuclear, acusando Washington o Irão, que desmente, de tentar produzir armas atómicas.

"Parece que um novo clima se instaurou com a chegada ao poder do novo Governo iraniano, e todos os parceiros internacionais estão a tentar corresponder a esse novo clima. Por exemplo, Barack Obama tentou utilizar um tom mais moderado e respeitoso", declarou o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Morteza Sarmadi, segundo a agência oficial Irna.

"Mas sem qualquer dúvida, o que é importante em política externa são os atos. Se os países do grupo 5+1 respeitarem os direitos nucleares do Irão no âmbito do Tratado de Não-Proliferação (TNP), penso que é imaginável que se alcance uma solução", acrescentou.

A imprensa iraniana também saudou o discurso de Obama, com o diário económico Donayé Eghtessad a apreciar o seu "tom diferente" em relação a Teerão e o Shargh (reformador) a escrever que "as relações se encontram numa nova via" e que "mesmo os mais recalcitrantes aceitam o facto de que chegou o momento para uma mudança".

Ao prosseguirem as suas negociações com Washington sobre o nuclear iraniano, que culminarão, segundo a imprensa, na aprovação dos "direitos" do Irão, "Israel será cada vez mais apresentado como um país belicista e o Irão como um país pacifista", sustenta o diário iraniano.

O jornal Etemad (moderado), por sua vez, viu nas declarações de Hassan Rohani e de Barack Obama uma "oportunidade histórica de relacionamento entre os Estados Unidos e o Irão".

Para um antigo responsável pela América do norte da diplomacia iraniana, Obama "reconheceu os erros passados", o que é um sinal de que as duas partes têm "vontade de lutar contra a desconfiança" mútua.

Vários jornais colocaram em manchete a declaração de Obama sobre a importância da "fatwa do guia supremo", o aiatola Ali Khamenei, sobre a proibição no Islão da posse de armas atómicas, vendo nela um gesto político importante da parte do Presidente norte-americano.

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