Foto de abraço vira símbolo de tragédia do Bangladesh

A fotógrafa e ativista Taslima Akhter colocou a imagem no Facebook e esta chegou agora às páginas da revista Time. O abraço daquele homem e daquela mulher tornou-se símbolo da tragédia dos quase 950 trabalhadores que morreram no passado dia 24 de abril em Daca.

"Não sei quem são, nem que relação tinham", explicou Akhter à Time, mas a fotógrafa garante que sempre que olha para aquele casal, abraçado no momento da morte, "é como se me dissessem: "Não somos um número - não somos só mão-de-obra barata. Somos seres humanos como vocês. A nossa vida é preciosa e também temos sonhos".

Mas os números da tragédia no Bangladesh não deixam de ser impressionantes. O balanço de mortos no colapso do edifício onde funcionavam fábricas que forneciam marcas como a britânica Primark ou a espanhola Mango está perto dos 950 e não para de subir.

Duas semanas depois, a questão da falta de segurança no sector têxtil no Bangladesh voltou ontem à ordem do dia depois de um incêndio numa outra fábrica ter feito oito mortos. As vítimas morreram por asfixia, encurraladas nas escadas pelo "fumo tóxico causados pela roupa em acrílico a arder". Na sua página de Facebook, a Tung Hai diz ter a Primark como cliente e, segundo a BBC, a espanhola Inditex (dona entre outras da Zara e Bershka) admitiu já ter trabalhado com a fábrica no passado.

Muito graças à sua mão-de-obra barata, o Bangladesh é o segundo exportador mundial de vestuário, um sector-chave para a sua economia, que anualmente gera 29 mil milhões de dólares e em 2012 representou 80% das exportações do país e emprega quatro milhões de pessoas. Mas há anos que as condições de trabalho e as normas de segurança nesta indústria são denunciadas por várias ONG. Nas 4500 fábricas têxteis a funcionar no Bangladesh - muitas vezes situadas em edifícios de construção defeituosa e com instalações elétricas antigas - os incêndios são comuns.

As marcas ocidentais não se têm cansado de criticar as fracas condições de segurança em que trabalham os operários do Bangladesh, mas a verdade é que continuam a fazer encomendas nas fábricas daquele país. Só pagando operários a dez a 20 cêntimos por hora se consegue vender T-shirts a dois euros ou calções a cinco.

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