Exército impõe recolher obrigatório e proíbe manifestações

Militares tailandeses suspenderam a Constituição, ordenaram o recolher obrigatório entre as 22.00 e as 05.00 da manhã (hora local) e interditaram todos os ajuntamentos de mais de cinco pessoas. O objetivo é restaurar a ordem pública e promover a "paz nacional".

O chefe de estado-maior do exército apareceu em direto na televisão, rodeado pelas restantes chefias militares e pelo comandante nacional da polícia, a anunciar aquelas medidas em nome de um Conselho para a Manutenção da Ordem e da Paz Nacional.

Após esta intervenção, todas as emissões foram suspensas nas diferentes estações, sendo apenas visível uma imagem com as armas dos diferentes ramos das forças armadas tailandesas e a designação do Conselho.

Ao final do dia, e num sinal claro da agenda do novo poder, a chefe do Governo afastada Yingluck Shinawatra e um cunhado de seu irmão, Thaksin Shinawatra, foram convocados para prestarem declarações. E também as redes sociais serão bloqueadas se nelas surgirem críticas aos militares.

Os dirigentes do campo pró-governamental e da oposição, após uma última ronda negocial que não terá produzido resultados, foram levados sob prisão para uma unidade militar, segundo diferentes fontes citadas pelas agências e pela BBC. Os elementos do Governo foram instados a dirigirem-se até final do dia para uma base nos arredores da capital, Banguecoque. O acesso aos media eletrónicos do país em inglês revelava-se difícil, mas continuava a ser possível consultar 'sites'.

Os responsáveis pelo golpe ordenaram a todos os manifestantes acampados na capital e seus arredores para regressarem a casa, o que começou a suceder ao fim do dia (hora local). Com uma diferença relevante: enquanto os partidários do campo governamental se mostravam acabrunhados e tristes, um clima de euforia reinava entre os manifestantes que desde outubro de 2013 contestavam o Governo de Yingluck Shinawatra, recentemente impedida pelo Tribunal Constitucional tailandês de exercer funções, tendo sido substituída por um primeiro-ministro interino.

A espiral de contestação tinha vindo a agravar-se desde aquela data e conheceu um momento alto, em fevereiro deste ano, quando a oposição conseguiu boicotar parcialmente eleições legislativas que deveriam ter solucionado a crise.

Desde o seu início, os confrontos entre partidários dos dois campos já causaram 28 mortos, a maioria em confrontos verificados nas ruas de Banguecoque e em alguns atentados ocorridos junto das concentrações permanentes mantidas pelos "camisas amarelas", a oposição, e os "camisas vermelhos", que se identificam com o clã Shinawatra. De facto, a origem do presente impasse tem origem no afastamento, por um movimento militar em setembro de 2006 do irmão de Yingluck, Thaksin Shinawatra, que hoje vive no exílio. Desde então, sempre que tem havido eleições, as formações partidárias ligadas à sua figura têm emergido triunfantes no voto popular ou conseguiram inviabilizar a formação de Governos alternativos.

O facto de os militares não terem dissolvido o Senado - o Parlamento está dissolvido desde dezembro - abre caminho à concretização de uma das principais reivindicações da oposição, que pretende a nomeação de um primeiro-ministro "neutro".

(Notícia corrigida às 17.20, substituindo "Supremo Tribunal" por Tribunal Constitucional)

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