Ex-líder comunista expulso da Assembleia Nacional Popular

A China cumpriu hoje a derradeira formalidade para julgar criminalmente a personagem central do maior escândalo político no país das últimas duas décadas, ao expulsar Bo Xilai da Assembleia Nacional Popular (parlamento).

Um mês depois de ter sido expulso do Partido Comunista Chinês, Bo Xilai, ex-primeiro secretário do PCC em Chongqing, Sudoeste da China, perdeu agora o mandato de "delegado do povo" e a respetiva imunidade.

O anúncio do fim do mandato de Bo Xilai, feito pelo Comité Permanente da assembleia, ocorre duas semanas antes da abertura do 18.º Congresso do PCC, que vai escolher a liderança da China para a próxima década.

Antes de, em março, ser afastado da liderança do PCC em Chongqing, Bo Xilai era considerado um dos mais fortes candidatos ao Comité Permanente do Politburo do PCC, a cúpula do poder na China, composta apenas por nove elementos.

O município de Chongqing é o maior da China, com cerca de 33 milhões de habitantes e uma área superior à da Bélgica e da Holanda juntas.

Constitucionalmente, a Assembleia Nacional Popular, com cerca de 3.000 deputados, é "o supremo órgão do poder de Estado".

Em 27 de setembro, a Comissão Central de Disciplina do PCC disse que Bo Xilai "prejudicou significativamente" a reputação da China, acusando-o de abuso do poder, corrupção, "relações sexuais impróprias" e outras "graves violações da disciplina".

Bo Xilai terá nomeadamente encoberto o homicídio de um empresário britânico, em novembro de 2011, um crime imputado entretanto à sua mulher, a conhecida advogada Gu Kailai, que em agosto foi condenada à morte com pena suspensa por dois anos.

O caso envolveu também seis responsáveis do departamento de Segurança Pública de Chongqing, entre os quais o ex-chefe da polícia local e antigo vice-presidente do governo municipal, Wang Lijun, condenado a 15 anos de prisão.

Bo Xilai, de 63 anos, é filho de um antigo vice-primeiro-ministro da China, Bo Yibo.

Antes de ser nomeado primeiro secretário da organização do PCC em Chongqing, no final de 2007, Bo Xilai foi ministro do Comércio.

Em Chongqing, Bo Xilai desencadeou uma drástica "campanha antimáfia", que o tornou um dos políticos mais populares do país, e promoveu o revivalismo da chamada "cultura vermelha", sendo por isso associado à "ala esquerdista" ou "neomaoista" do PCC.

No próximo Congresso do PCC, convocado para 08 de novembro, o atual vice-presidente, Xi Jinping, deverá substituir o presidente Hu Jintao na chefia do partido, assinalando a transferência de poderes da quarta para a quinta geração de líderes da Republica Popular da China.

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