Acusações de ciberespionagem ameaçam relação com EUA

A China rejeitou hoje as acusações apresentadas pela justiça norte-americana contra cinco oficiais do exército chinês por alegados atos de ciberespionagem, alertando que esta ação pode ameaçar as relações entre os dois países.

A acusação, "baseada em factos fabricados, viola grosseiramente as normas básicas que regem as relações internacionais e coloca em risco a cooperação entre a China e os Estados Unidos e a mútua confiança", referiu o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Qin Gang, num comunicado.

Pequim pediu a Washington para "corrigir imediatamente o seu erro e retirar a acusação", indicou o porta-voz, acrescentando que a "acusação norte-americana contra responsáveis chineses é puramente infundada e absurda".

Qin Gang afirmou ainda que a China irá suspender as atividades de um grupo de trabalho bilateral sobre matérias relacionadas com a Internet devido a uma "falta de sinceridade por parte dos Estados Unidos".

A justiça norte-americana acusou hoje cinco oficiais do exército chinês de "pirataria informática" e "espionagem económica", anunciou o secretário de Estado norte-americano da Justiça, Eric Holder.

Um grande júri do Estado da Pensilvânia (leste dos Estados Unidos) acusou cinco "membros da unidade 61398 do terceiro departamento do Exército Popular de Libertação da China", designação oficial do exército chinês, precisou o representante, numa conferência de imprensa, em Washington.

"Este alegado caso de espionagem económica perpetrado por membros do exército chinês representa o primeiro processo instaurado contra um ator estatal por este tipo de pirataria", salientou Holder.

Os cinco oficiais - Wang Dong, Sun Kailiang, Wen Xinyu, Huang Zhenyu e Gu Chunhui -, são acusados de ter roubado, entre 2006 e 2014, informações comerciais confidenciais de empresas norte-americanas especializadas em energia nuclear ou solar e do setor metalúrgico.

Segundo o Departamento de Justiça norte-americano, as informações confidenciais das companhias norte-americanas terão sido utilizadas para benefício de empresas estatais chinesas.

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