70 feridos em protestos de trabalhadores têxteis

Pelo menos 70 pessoas ficaram hoje feridas em confrontos entre a polícia e trabalhadores do setor têxtil do Bangladesh que reclamaram melhorias salariais em vários pontos do país, informou a imprensa local.

Os protestos continuaram, hoje de manhã, pelo terceiro dia consecutivo, com cerca de uma centena de fábricas encerradas e centenas de trabalhadores nas ruas de Daca, na vizinha cidade de Gazipur e Savar, o subúrbio industrial da capital.

Os trabalhadores vandalizaram uma dezena de fábricas e 25 veículos, tendo também cortado o tráfego em várias autoestradas que ligam a capital ao resto do país, de acordo com o jornal The Daily Star. Os trabalhadores do setor têxtil pedem um aumento do salário mínimo mensal dos atuais 38 dólares (28 euros), o mais baixo do setor no mundo, para os 102 dólares (75,4 euros).

A Associação de Produtores e Exportadores de Têxteis propôs rever em alta o ordenado mínimo até aos 46 dólares (34 euros), uma proposta considerada insuficiente pelos trabalhadores do setor.

"É inaceitável o salário mínimo que oferecem", disse o presidente da Federação Nacional de Trabalhadores do Setor Têxtil do Bangladesh, Amirul Haq Amin, em declarações à Efe.

Depois do desabamento do Raza Plaza, em abril, que causou 1.127 mortos naquela que foi a pior tragédia industrial na história do Bangladesh, o Governo e as multinacionais ocidentais tomaram medidas no sentido de melhorar a situação laboral dos trabalhadores.

E, em julho, o parlamento do Bangladesh aprovou uma emenda à lei laboral que permite aos trabalhadores filiarem-se em sindicatos e a criação de um fundo de ajuda à qualidade de vida dos empregados.

No mesmo mês, cerca de 70 marcas de roupa multinacionais assinaram um acordo para aumentar a supervisão e segurança nas fábricas do ramo.

Contudo, o aumento do salário mínimo com efeitos retroativos a 01 de maio - uma promessa do Governo depois da tragédia de abril - continua pendente.

"As negociações avançam lentamente. É uma negociação a três entre o Governo, representantes de proprietários de fábricas e trabalhadores, pelo que o progresso é difícil", avaliou Amirul Haq Amin.

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