Apoiantes de Morsi planeiam novas manifestações

Apoiantes do Presidente egípcio deposto Mohamed Morsi exortaram a novas manifestações, agudizando receios de uma nova onda de violência, com a polícia preparada para intervir e não obstante os apelos internacionais à contenção.

O apelo foi lançado depois de o Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, ter afirmado que a deposição, no mês passado, de Mohamed Morsi - o primeiro Presidente democraticamente eleito do Egito - era pedida por milhões de pessoas.

"Milhões e milhões de pessoas pediram ao exército para intervir. Todos tinham receio de uma derrapagem para o caos e a violência", disse Kerry à televisão paquistanesa Geo, ao sublinhar que, "até ao momento, e pelo que podemos observar, o exército não tomou o poder".

Para conduzir o país, acrescentou, "existe um governo civil. De facto, [o exército] restabeleceu a democracia", considerou o chefe da diplomacia norte-americana, de visita ao Paquistão.

Ala Mostafa, porta-voz da Coligação Anti-golpe de Estado, um movimento pró-Morsi, afirmou, em declarações à agência AFP, que os manifestantes vão continuar com os seus acampamentos e protestos pacíficos contra aquilo que qualificou como "golpe de Estado".

Os apoiantes de Morsi rejeitaram uma proposta do Ministério do Interior egípcio que apelou para que 'desmontassem' rapidamente os acampamentos de protesto no Cairo, em troca de uma "saída em segurança", enquanto a polícia se preparava para intervir, debatendo como observar as ordens de acabar com os protestos, o que tem motivado apelos internacionais à contenção.

Isto porque, na quarta-feira, o governo interino deu autorização à polícia para pôr termo aos protestos dos apoiantes de Morsi, deposto a 03 de julho pelos militares na sequência de protestos de massas que exigiam a sua demissão.

As autoridades egípcias já alertaram que as manifestações vão ser dispersadas "em breve", mas não disse quando nem como.

Os islamitas, que mantêm dois acampamentos há mais de um mês em duas praças do Cairo, afirmam que apenas terminarão o protesto quando Morsi for reconduzido no cargo para o qual foi eleito na segunda volta das presidenciais, em junho de 2012.

Este 'braço-de-ferro' levanta receios de nova violência, menos de uma semana depois de 82 pessoas terem morrido em confrontos em manifestações pró-Morsi no Cairo.

Mais de 250 pessoas foram mortas desde que Morsi foi deposto, na sequência de protestos que se realizaram em todo o país.

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