"Agradeço a Deus o facto de ser um sobrevivente"

Austin Jallah, de 29 anos, é um estudante de medicina da Libéria que sobreviveu ao vírus do ébola. Um dos poucos que viveu para contar a história.

Jallah é cidadão liberiano e foi contagiado por um paciente, quando trabalhava num hospital do seu país. O homem que lhe passou o vírus acabou por morrer sem que se soubesse que sofria de ébola. Uma semana depois, Austin Jallah teve os primeiros sintomas e percebeu que tinha contraído o vírus.

Num depoimento à TSF, o estudante conta que pediu para ser internado. Passou três semanas no hospital em isolamento, com diarreias, hemorragias internas e tosse forte. "Recebi transfusões por causa das hemorragias internas. Lembro-me de me serem dados muitos líquidos e uma substância de reidratação para compensar os fluídos que perdi".

Conseguiu ultrapassar a doença e no dia 1 de setembro deixou o hospital, mas não esconde as sequelas: hoje tem uma "vida normal", ainda que ao acordar sinta dores musculares que ficaram, memória das complicações trazidas pelo ébola. Ainda assim, tem uma perspetiva positiva: "olhando para a experiência dramática de ver os meus amigos morrer e de eu conseguir curar-me, agradeço a Deus o facto de ser um sobrevivente".

Numa altura em que a epidemia de ébola continua por controlar em África, Austin Jallah diz que a chegada do vírus ao Ocidente trouxe maior consciencialização para a gravidade da doença, mas refere que no continente africano os meios de combate permanecem os mesmos e a resposta não melhorou. Por isso, quer continuar a colaborar no terreno com a Organização Mundial de Saúde, que tem vindo a sublinhar a importância do combate ao ébola. Margaret Chan, a diretora-geral da OMS, admitiu que o atual surto de ébola, que já matou mais de quatro mil pessoas, pode ameaçar a sobrevivência de sociedades e governos de países já muito pobres.

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