Três dias de recolher obrigatório para conter ébola

O Governo da Serra Leoa impôs hoje um recolher obrigatório que obriga os cidadãos a permanecerem em casa nos próximos três dias, para tentar deter a propagação do vírus Ébola, que já fez 562 mortos no país.

Durante o recolher obrigatório, que estará em vigor até domingo, cerca de 30.000 voluntários andarão de casa em casa a identificar as pessoas doentes, a distribuir 1,5 milhões de sabonetes e a informar os cidadãos sobre as medidas para prevenir o Ébola, explicou o Governo em comunicado.

Com esta medidas as autoridades esperam poder diagnosticar centenas de novos casos, já que muitos doentes com Ébola não se deslocaram a hospitais por medo do escárnio público, uma atitude que está a dificultar muito os esforços de contenção do vírus.

Por isso, o Governo preparou novos centros de tratamento para poder acolher uma nova vaga de doentes nos próximos dias.

Embora a imposição de um recolher obrigatório tenha sido criticada por algumas organizações internacionais e alguns cidadãos, até agora não se registou qualquer incidente.

A organização Médicos Sem Fronteiras também criticou esta medida governamental, argumentando que "as clausuras e as quarentenas não ajudam a controlar o Ébola, a única coisa que fazem é minar a confiança entre os cidadãos e os responsáveis da saúde pública".

Para garantir o cumprimento desta "clausura" do país, um grande dispositivo policial patrulhará lugares estratégicos, precisou o Governo.

A Serra Leoa, com 1.673 casos registados de infeção com Ébola, é o segundo país da África Ocidental onde se registaram casos, dos quais 562 morreram, segundo o mais recente balanço da Organização Mundial de Saúde (OMS), datado de 14 de setembro.

Este surto de Ébola, o primeiro que se deteta na África Ocidental, surgiu no passado mês de março na Guiné-Conacri e alastrou depois à Libéria, à Serra Leoa, à Nigéria e ao Senegal.

Desde então, 5.357 pessoas foram contagiadas pelo vírus, das quais 2.630 morreram, indicou a OMS.

O Ébola, que se transmite por contacto direto com o sangue e os fluidos corporais de pessoas ou animais infetados, causa febre e hemorragias graves e tem um índice de mortalidade de 90 por cento.

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